Rio de Janeiro – Se tem um órgão do Governo Federal que trabalha – e muito – é o Departamento de Recuos e Desmentidos (DRD).
Ligado à Secretaria de Comunicação – SECOM, o DRD funciona numa salinha nos fundos do Palácio do Planalto, sob o comando do secretário especial, Fabio Wajngarten.
Todo mundo sabe que uma das funções mais importantes no governo, hoje em dia, é a de recuar e desmentir as histórias do capitão, de sua prole e de seus colaboradores.
O governo de Jair Bolsonaro já mudou de ideia ou recuou de decisões que estavam tomadas ou anunciadas, tantas vezes que o setor de comunicação do governo está em pânico.
Depois de demitir o ministro Mandeta e perder o super-ministro Moro, o presidente, triste e abatido ouvia Wando e pensava em se matar, quando o secretário Fábio Wajngarten entrou em sua sala.
– Mandou me chamar, presidente?
– A situação tá feia, Fabinho! Preciso me benzer.
– Benzer, presidente! Mas o senhor não é evangélico?
– Eu sou católico, taokey!
– Mas eu nunca vi o senhor com padres ou em seus rituais. Só vejo o senhor nos templos evangélicos e com os pastores de televisão!
– Eu preciso estar ao lado de todos. Dos bons e dos maus, entendeu? Por falar nisso, eu quero que a Secretaria de Comunicação divulgue minha aliança com “Centrão”, taokey?
– Com o “Centrão”!!? – indagou, incrédulo, o secretário. – Mas presidente, eles são o que tem de pior na “velha política” que o senhor tanto criticou. Todos eles colecionam denúncias e investigações contra si. Num país sério, não seriam eleitos nem para chefes de quadrilha. Na sua campanha, o senhor prometeu acabar com a velha política do toma-lá-dá-cá”.
– Ninguém lembra mais disso. O povo tem memória curta. E depois, o Roberto Jefferson acha que é uma ótima ideia.
– Roberto Jefferson? O do “mensalão”? Seu conselheiro não era o Olavo de Carvalho? – questionou o secretário.
– Ainda é. Mas ele anda muito ocupado aconselhando o 01 , o 02 e o 03. Os meninos andam com uns “pobreminhas”, entende. O único que não me dá “pobrema” é o 04. Este puxou o pai: tá pegando todo mundo no condomínio.
– Mas, presidente, o Roberto Jefferson foi condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro!
– Ele tá arrependido.
– E esse aqui, o Valdemar da Costa Neto, foi condenado a sete anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de receber R$ 8,8 milhões em troca de apoio do extinto PL ao Lula – disse o secretário, apontando para a relação com os nomes dos novos “amiguinhos” do presidente.
– Fake News.
– O Ciro Nogueira, também?!! O senador é réu em processo que investiga o chamado “quadrilhão do PP”. Segundo denúncias, ele faria parte de uma organização que desviou R$ 390 milhões da Petrobrás.
– E o PT?
– Até o Arthur Lira?!! – questionou Wajngarten, apontando para a lista. – O deputado é réu em dois processos que tramitam no STF. Em um deles, é acusado de ter recebido R$ 106 mil em propina.
– E o PT?
– O Kassab!? É sério?! O ex-prefeito de São Paulo é réu em duas ações na justiça paulistana. Em uma delas, é acusado de ter recebido R$ 21 milhões da Odebrecht. Em outra, é acusado de receber R$ 58 milhões da J&F.
– E o PT?
– Sei, não, presidente! O povo já está criticando o senhor por entupir seu gabinete de generais amigos; destruir a educação; o meio-ambiente; as relações exteriores; a cultura; os direitos humanos; fazer pouco caso da quarentena; não respeitar os mortos por corona vírus …e, agora, mais essa?!
– E daí?
– Acho melhor o senhor fazer alguma coisa, presidente!
– Taokey! Me dá minha arma. Vou dar uns tirinhos!


