Coluna

O preço da ignorância

Quando iremos perceber o alto preço que pagamos, cotidianamente, pela nossa ignorância? Socialmente, não acreditamos na educação e na necessidade de buscar o conhecimento, ainda não nos demos conta de que nossa constante escolha pela ignorância provoca a perpetuação das nossas mazelas. 

O preço que pagamos pela ignorância é alto demais. Dela deriva a miséria, a fome, a violência, a injustiça, enfim, a estupidez humana nas suas mais variadas formas de manifestações. 

Um povo ignorante que ignora o saber, a cultura, a civilidade, acaba incentivando automaticamente nas relações interpessoais a incompetência, a incompreensão, a boçalidade, a crueldade, a idiotice, a descortesia, a rispidez, portanto, tudo aquilo que denigre e empobrece a vida humana e o próprio ser humano.

Não podemos esquecer que somos animais, apesar de termos um atributo a mais, que é nossa racionalidade, nossa capacidade de pensar, não deixamos de sê-lo. Não obstante, nossa racionalidade não pode ser abandonada e nem tão pouco desestimulada. Faz-se necessário cultivá-la, abastecê-la, provocá-la, usá-la, é preciso preenchê-la com o saber, com o conhecimento. 

A ignorância acaba por incentivar e estimular o lado animalesco que temos. Desta forma não adianta ter um diploma universitário e continuar ignorante, passar pela escola e não aprender nada, viver em grupos sociais que estimulam a busca pelo conhecimento e não ler sequer um livro. Infelizmente a ignorância se esconde por detrás de muitos diplomas, medalhas ou títulos. 

Vivemos tempos paradoxais, temos tudo que nos leva ao conhecimento, mas o que vemos é a preferência pela enganação de si mesmo. E repito, o preço que pagamos é alto demais. Nossa ignorância nos priva das oportunidades, afasta os melhores postos de trabalho, e coletivamente não nos desenvolvemos, não criamos cenários de otimismo, não possibilitamos que outros acreditem em nós. 

A velha máxima de Sócrates, “só sei que nada sei”, está anos luz da mente do ignorante, que prefere dizer sempre “pra que aprender isso?”, ou “o que é que eu vou fazer com isso?”A ignorância é tanta que nem se permitir conhecer as pessoas querem. 

Neste contexto vamos conduzindo nossa sociedade e cada dia presenciando fatos que beiram o absurdo, mas que são sempre movidos pela nossa opção pela ignorância. Já dizia Cícero, “nada perturba tanto a vida humana como a ignorância do bem e do mal”. Sem discernimento, qualquer atitude é válida, pois sempre teremos uma justificativa para tudo. E o pior, vamos nos acostumando a aplaudir o mal, como se a vida fosse uma “vídeo cassetadas”. 

A ignorância nunca provocará a possibilidade de conquistar a sociedade que de fato queremos, ela na verdade é o nosso maior obstáculo. Se o poeta disse que há uma pedra no meio do caminho, essa pedra tem nome: ignorância. Permitamo-nos quebrá-la! 

Walber Gonçalves de Souza

71 Posts

Coluna do Professor Walber

Walber Gonçalves de Souza, Doutor em Geografia:Tratamento da Informação Espacial (PUCMINAS); Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade (UNEC); Especialista em Ciências do Ambiente (UNEC) e Maçonologia: História e Filosofia (UNINTER); Graduado em História (UNIFAI) e Graduando em Direito (UNEC). Revisor de vários periódicos científicos (parecer de artigos). Escritor e Palestrante. Professor da Fundação Educacional de Caratinga (FUNEC). Membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM). Colunista semanal dos jornais: Diário de Caratinga (MG), O Folha de Minas (MG) e Roraima em Tempo (Boa Vista/RR). Autor, coautor e organizador de várias obras literárias. Tem experiência na docência de temas ligados à Ciências Humanas. Trabalha com pesquisas voltadas para a Educação, História, Pensamento e Geografia Histórica.

Comentários