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Home Colunas

Candeia: Samba de roda

Por Lenin Novaes
16 de setembro de 2025 - 17:41
em Colunas

O sambista e compositor Candeia, na arte de Lívia Nair Costa.  Reprodução. 

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– Athaliba, neste 2025, o terceiro LP de Candeia, Samba de roda, completa 50 anos. Teve lançamento no mercado fonográfico pela gravadora Tapecar, em 1975. Também, ainda, naquele ano corrente, Antônio Candeia Filho, estaria completando 90 anos de nascimento. Ele nasceu em 17/9/1935 e faleceu dia 16/11/1978. Aspecto interessante do disco, fora dos padrões comerciais, furando a bolha serviçal, é a seleção do gênero musical partido alto, no lado B da “bolacha”.

– É verdade, Marineth. O referido repertório é composto de “Samba na tendinha”, Candeia; “Já clareou”, Dewett; “Não tem veneno”, Candeia e Wilson Moreira; “Eskindôlelê, Candeia; “Olha a hora Maria”, adaptação de Candeia; Motivos folclóricos da Bahia: “Ai, Haydê”, “Paranuê”, adaptação; maculelê, “Sou eu, sou eu”; “Não mate homem”, adaptação; candomblé, “Deus que lhe dê”; “Salve, salve!”, adaptação; samba de roda, “Por que veio”, adaptação.

– Athaliba, no lado A do disco tem “Brinde ao cansaço”, Candeia; “Conselhos de vadio”, de Alvarenga; “Alegria perdida”, Candeia e Wilson Moreira; “Camafeu”, Martinho da vila; “Sinhá dona da casa”, Candeia e Netinho; e “Acalentava”, Candeia. Entre os músicos atuantes nas gravações estão Marçal, Wilson das Neves, Risadinha, Luna, Arlindo, Bezerra, Carlinhos, Doutor, Pedro dos Santos, Elizeu Félix, Gilson de Freitas, Neco, Neném, com o grupo Nosso Samba no coral.

– Marineth, uma das memórias de celebração ao sambista tá nos anais do Centro Integrado de Educação Pública – CIEP – Antônio Candeia Filho, localizado em Acari. O educandário integra o projeto de escolas públicas de ensino integral, idealizado por Darcy Ribeiro, com arquitetura de Oscar Niemeyer, criado no Rio de Janeiro, no governo de Leonel Brizola, nos anos 1980. Dentro da finalidade estão atividades culturais, esportivas, além de refeições e assistência médica.

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– Athaliba, qual recordação ocê se refere?

– Marineth, a profª Maria Augusta, diretora da escola, queria que os estudantes soubessem quem era o patrono do colégio. Sugeri, então, simulação de desfile de carnaval da Escolinha de Samba Unidos do Candeia, em homenagem ao sambista no seu aniversário. Organizamos alas, com turmas de alunos; casal de mestre-sala e porta- bandeira, com os estudantes Vanderson e Débora, respectivamente; passista Luana, Roseli e Ionara; todos os foliões no embalo do samba-enredo de Gilmar Simpatia, “Candeia: fortes lembranças”.

– Athaliba, que bonito. Parabéns!

– Marineth, o compositor Waldir de Souza, o Waldir 59, amigo do Candeia, apresentou, no desfile, no interior do colégio, o casal de mestre-sala e porta-bandeira. As fantasias dos alunos eram em papel crepom. Dona Leonilda, mulher de Candeia, e Jairo e Selma, filhos do sambista, ficaram emocionados com o evento. Também se emocionaram o cantor e compositor Paulinho da Viola; a cantora Cristina Buarque de Holanda; a porta-bandeira Dodô da Portela; o escritor João Batista Vargens; os jornalistas Lena Frias e Arthur Poener; o compositor Luiz Carlos da Vila.

– Como a festa foi finalizada, Athaliba?

– Marineth, o evento está registrado no jornal Vanguarda do Samba, edição de nº 7, em setembro de 1997. Idealizei a publicação junto com o saudoso amigo Paulo Francisco Magalhães, como órgão oficial da Associação da Velha Guarda das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – AVGESRJ, da qual fui editor, além de diagramar, fotografar e fazer reportagens. Bem, o evento foi encerrado com todos cantando “O sonho não se acabou”, samba do Luiz Carlos da Vila.

– Athaliba, como é o samba?

– Marineth, a poesia revestida de singela melodia diz que “A chama não se apagou/Nem se apagará/És luz de eterno fulgor/Candeia/O tempo que o samba viver/O sonho não vai acabar/E ninguém irá esquecer/Candeia/Todo tempo que o céu abrigar o encanto de uma lua cheia/E o pescador afirmar que ouviu o cantar da sereia/E as fortes ondas do mar/Sorrindo brincarem com a areia/A chama não vai se apagar/Candeia/Onde houve uma crença/Uma gota de fé/Uma roda, uma aldeia/Um sorriso, um olhar/Que é um poema de fé/Sangue a correr nas veias/Um cantar à vontade/Outras coisas que a liberdade semeia/O sonho não vai acabar/Candeia”.

– Athaliba, o Candeia ficou paralítico quando era policial e levou cinco tiros, em atrito com motorista de caminhão. Em 8/12/1975 fundou o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, com Nei Lopes e Wilson Moreira, entre outros. É legado do protesto contra a exploração dominante das escolas de samba. Por isso e pela obra musical, valeu, Candeia!

Tags: ColunaLenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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