Um dos principais alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, o empresário Américo Monte Júnior aparece no centro de um esquema investigado por fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS.
As investigações apontam que Américo seria responsável pela estrutura e gestão de associações suspeitas de realizar descontos irregulares diretamente nos benefícios de aposentados entre os anos de 2019 e 2024.
Segundo estimativas da PF e da CGU, os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
Auxílio emergencial chamou atenção dos investigadores
Além das suspeitas envolvendo o esquema no INSS, outro detalhe chamou atenção durante a investigação: Américo Monte Júnior recebeu auxílio emergencial durante a pandemia da covid-19.
O benefício foi criado pelo governo federal em 2020 para atender pessoas em situação de vulnerabilidade social e trabalhadores afetados economicamente pela pandemia.
A informação ganhou repercussão porque o empresário mora em uma residência de alto padrão em Alphaville, região conhecida pelos condomínios de luxo e imóveis milionários na Grande São Paulo.
Nesta quarta-feira, agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do investigado.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Américo também passará a usar tornozeleira eletrônica.
Esquema envolvia associações ligadas ao INSS
As apurações indicam que entidades associativas realizavam descontos mensais não autorizados diretamente nos benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a investigação, os descontos eram registrados como mensalidades associativas ou serviços oferecidos pelas entidades, muitas vezes sem autorização dos beneficiários.
Em São Paulo, a operação teve como alvo associações como Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev, AASAP e ANDAPP.
Américo Monte Júnior aparece vinculado à Amar Brasil Clube de Benefícios, uma das entidades investigadas.
PF investiga organização criminosa e ocultação de patrimônio
Ao todo, a nova etapa da operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares em São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Distrito Federal.
As investigações apuram suspeitas de organização criminosa, estelionato previdenciário, crimes contra a administração pública e ocultação patrimonial.
Entre os investigados estão empresários, operadores financeiros, dirigentes de associações e ex-servidores do INSS.
A PF também apura possíveis estratégias de dilapidação patrimonial e movimentações financeiras suspeitas envolvendo os investigados.
Defesa não foi localizada
Até o momento, a defesa de Américo Monte Júnior não se manifestou publicamente sobre as acusações.
A investigação segue em andamento sob supervisão do STF por envolver autoridades e possíveis conexões interestaduais no esquema.






