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Home Notícias Brasil

Psiquiatra diz em júri que Dr. Jairinho demonstrava “prazer em provocar dor” em crianças

Depoimento marcou o terceiro dia do julgamento pela morte de Henry Borel no Rio de Janeiro

Por Redação
27 de maio de 2026 - 15:24
em Brasil
Psiquiatra diz em júri que Dr. Jairinho demonstrava “prazer em provocar dor” em crianças

Divulgação / TJRJ

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O julgamento do caso Henry Borel ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (27) com o depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, que afirmou ao Tribunal do Júri que o ex-vereador Dr. Jairinho apresentava comportamento compatível com padrões de perversidade e abuso infantil.

Segundo o especialista, os relatos analisados durante a investigação apontam repetição de agressões físicas contra crianças pequenas ligadas ao convívio de Jairinho.

“Consegui perceber padrão de abuso infantil. Tem padrão de perversidade em infligir dor em crianças”, afirmou o psiquiatra durante o depoimento no Tribunal do Júri.

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Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no hospital com múltiplas lesões internas. A acusação sustenta que a criança foi vítima de agressões praticadas por Jairinho, enquanto a mãe, Monique Medeiros, teria sido omissa diante da violência.

Psiquiatra aponta repetição de agressões

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Bernardon Ribeiro foi contratado por Leniel Borel para elaborar uma análise psicológica dos envolvidos no caso.

Segundo o médico, embora não tenha entrevistado diretamente os réus, ele analisou depoimentos, entrevistas públicas e ouviu pessoas que conviveram com o ex-vereador e Monique Medeiros.

Durante o depoimento, o psiquiatra relatou episódios envolvendo outras crianças que teriam sofrido agressões quando Jairinho mantinha relacionamentos anteriores.

Em um dos relatos apresentados, uma criança de 3 anos teria sofrido torção no braço e sido orientada a mentir sobre o ocorrido. Outro caso mencionado envolveu fratura no fêmur, sessões de pisoteio e afogamento em piscina.

“Padrão de repetição que leva a traçar esse perfil de que a pessoa tem prazer em provocar dor, tortura, e tem público-alvo crianças pequenas”, declarou.

Defesas contestam depoimento

As declarações do psiquiatra provocaram reação imediata das defesas dos réus.

O advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, distribuiu nota criticando o testemunho e afirmando que o médico não poderia traçar perfil psicológico sem entrevistar diretamente os acusados.

A defesa de Monique Medeiros também tentou impedir a validade do depoimento, argumentando que o especialista não tinha contato direto com os réus. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela juíza Elizabeth Machado Louro, responsável por conduzir o julgamento.

Delegado falou em “farsa ensaiada”

O terceiro dia do júri ocorre após depoimentos considerados decisivos prestados na terça-feira (26) pelos delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros.

Damasceno afirmou que a versão apresentada inicialmente pelos réus — de que Henry teria morrido após cair da cama — fazia parte de uma “farsa ensaiada”.

Segundo o delegado, mensagens recuperadas do celular da babá da criança revelaram que Monique já sabia das agressões sofridas pelo filho antes da morte.

Médicos e legistas ainda serão ouvidos

A expectativa é que o julgamento prossiga com novos depoimentos de médicos e peritos ligados ao caso.

Entre os nomes previstos estão a médica Maria Cristina de Souza Azevedo, do Hospital Barra D’Or, além dos legistas Luiz Airton Saavedra e Luiz Carlos Leal Prestes.

A médica foi convocada após relatos de que Jairinho teria pressionado o hospital para liberar o corpo de Henry sem realização de perícia.

Réus respondem por diversos crimes

Dr. Jairinho responde pelos crimes de homicídio qualificado, tortura contra criança, fraude processual e coação no curso do processo.

Já Monique Medeiros responde por homicídio, tortura, fraude processual e outros crimes relacionados ao caso.

O julgamento ocorre no Rio de Janeiro e a decisão final será tomada por sete jurados.

Tags: abuso infantilCaso HenryDr JairinhoHenry BorelMonique MedeirosPolícia CivilRio de Janeirotribunal do júri
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