A Justiça do Distrito Federal tornou réu, nesta sexta-feira (13), o piloto de automobilismo Pedro Turra, de 19 anos, acusado de provocar a morte do adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, após uma briga ocorrida em janeiro, em Águas Claras. Com o recebimento da denúncia, ele passa a responder por homicídio doloso.
Turra está preso preventivamente no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A prisão foi mantida pelo juiz André Silva Ribeiro, que apontou a gravidade do caso e riscos concretos à instrução do processo.
Como a agressão ocorreu
De acordo com as investigações da Polícia Civil, a confusão teve início na madrugada de 23 de janeiro, na saída de uma festa. O estopim teria sido um desentendimento após o arremesso de um chiclete em direção a um amigo da vítima. Testemunhas relataram que, após a discussão, o piloto teria descido do carro e iniciado as agressões.
Imagens e depoimentos colhidos no inquérito indicam que Rodrigo foi atingido com um soco, caiu e bateu a cabeça contra a porta de um veículo. O impacto provocou traumatismo craniano grave. O adolescente sofreu parada cardiorrespiratória e precisou ser socorrido em estado crítico.
Rodrigo permaneceu internado por cerca de duas semanas em uma unidade de terapia intensiva e morreu no último sábado (7).
Investigação aponta possível premeditação
No início, o caso foi tratado como lesão corporal gravíssima. Com a morte do adolescente, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o piloto por homicídio doloso, sustentando que houve, ao menos, dolo eventual — quando o autor assume o risco de produzir o resultado morte.
A apuração policial também passou a indicar que a agressão não teria sido um ato isolado ou impulsivo. Segundo os investigadores, há indícios de que a briga foi premeditada e contou com a participação de outras pessoas próximas ao piloto.
Familiares da vítima chegaram a afirmar que Rodrigo teria sido alvo de uma emboscada, versão que também é analisada no processo.
Decisão judicial
Ao aceitar a denúncia, o juiz afirmou que o Ministério Público descreveu os fatos de forma clara e suficiente para o prosseguimento da ação penal. Na decisão, destacou que a gravidade concreta dos fatos e os riscos de interferência probatória justificam a manutenção da prisão preventiva.
“A gravidade concreta dos fatos, a reiteração das condutas violentas e os riscos concretos de interferência probatória exigem resposta cautelar mais rigorosa”, registrou o magistrado.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de instrução. Serão ouvidas testemunhas, analisadas provas e colhidos depoimentos. Ao final, a Justiça decidirá se o réu será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.






