O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros ganhou novos capítulos de tensão nesta segunda-feira (25), durante a retomada do júri popular que apura a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, no Rio de Janeiro.
Logo no início da sessão, Jairinho tentou provocar um novo adiamento ao pedir a destituição da própria equipe de defesa após o advogado Fabiano Tadeu Lopes, apontado como principal defensor do ex-vereador, sofrer um infarto no último sábado (23) e ser internado em estado delicado.
Mesmo contando com outros oito advogados constituídos no processo, Jairinho afirmou à juíza Elizabeth Machado Louro que Fabiano Lopes seria o único profissional plenamente preparado para conduzir sua defesa no caso. A medida poderia suspender novamente o julgamento, repetindo o que já havia ocorrido em março, quando os advogados abandonaram o plenário após terem um pedido de adiamento negado pela magistrada.
A juíza, porém, considerou que o movimento fazia parte de uma estratégia protelatória já observada ao longo do processo.
Juíza manda transferir Jairinho para Bangu 1
Em meio ao impasse, a magistrada determinou a transferência de Jairinho de Bangu 8 para Bangu 1, unidade de segurança máxima do Complexo de Gericinó, na zona oeste do Rio.
A decisão foi tomada após sugestão do promotor Fábio Vieira dos Santos. Segundo a juíza, o próprio réu reconhecia que a permanência em Bangu 1 poderia oferecer “mais conforto e facilidade”.
A transferência chamou atenção porque Bangu 8 é considerada uma ala menos rígida, geralmente destinada a presos com ensino superior, enquanto Bangu 1 abriga criminosos de alta periculosidade e líderes de facções.
Durante a leitura da decisão, Jairinho pediu uma pausa para conversar com outros advogados. Após a interrupção, ele voltou atrás e decidiu restabelecer a equipe de defesa, incluindo o próprio filho, o advogado recém-formado Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos. Com isso, o julgamento foi retomado normalmente.
Ministério Público aponta rede de influência para esconder crime
O júri foi retomado com a escolha dos sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres.
Antes do início da sessão, o pai de Henry, Leniel Borel, afirmou que a acusação pretende demonstrar durante o julgamento a suposta rede de influência usada por Jairinho para dificultar as investigações sobre a morte da criança.
Segundo Leniel, o então vereador teria acionado autoridades políticas e policiais logo após a morte do menino para evitar que o caso fosse tratado inicialmente como homicídio.
“Vamos mostrar quem são Jair e Monique, a rede que o Jair procurou para que o hospital não mandasse [o corpo] para o IML”, declarou o pai de Henry ao chegar ao tribunal.
A defesa de Jairinho voltou a sustentar que Henry morreu em decorrência de um acidente doméstico, versão rejeitada pelo Ministério Público desde o início das investigações.
Segundo a denúncia, o menino foi espancado até a morte na madrugada de 8 de março de 2021. Os promotores também afirmam que Henry já vinha sofrendo agressões físicas semanas antes da morte.
Jairinho responde por homicídio triplamente qualificado e tortura. Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão qualificada, sob a acusação de não impedir as agressões sofridas pelo filho.
O Ministério Público e a própria defesa estimam que o júri dure entre cinco e sete dias.
Nesta primeira etapa, estão previstos depoimentos de delegados, peritos e médicos legistas envolvidos na investigação do caso.






