O governo de Minas Gerais deu mais um passo no processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ao divulgar o cronograma da oferta de ações da empresa na Bolsa de Valores. Segundo comunicado encaminhado ao mercado, a negociação dos papéis acontecerá entre os dias 5 e 8 de junho, período que inclui o feriado prolongado de Corpus Christi.
A expectativa do governo estadual é arrecadar cerca de R$ 10 bilhões com a operação, valor calculado com base na cotação das ações registrada em 19 de maio, quando cada papel da companhia era negociado a R$ 52,77 na B3.
O montante, porém, já representa uma perda em relação ao pico recente das ações da estatal. Em 9 de abril, os papéis chegaram a ser negociados a R$ 60,35. Caso a venda ocorra pelo valor de referência utilizado atualmente, a diferença representa uma desvalorização próxima de 12% no valor de mercado da empresa, o equivalente a cerca de R$ 1,2 bilhão.
A própria companhia alertou investidores sobre a possibilidade de forte oscilação nos preços após a operação.
“Não haverá procedimento de estabilização do preço das ações ordinárias após a realização da oferta”, informou a empresa em documento enviado ao mercado financeiro.
Recursos irão para o caixa do governo
Diferente de operações voltadas ao fortalecimento financeiro da empresa, todo o valor arrecadado com a venda das ações ficará com o governo estadual, atual controlador da companhia.
Os recursos deverão ser usados para abatimento da dívida de Minas Gerais com a União dentro do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), principal aposta do governo mineiro para reorganizar as contas públicas.
Estado pode deixar totalmente o controle da companhia
Embora o plano inicial do governo preveja a venda de 45% do capital social da Copasa, os documentos apresentados aos investidores deixam aberta a possibilidade de alienação de toda a participação estatal na empresa.
Pela proposta original, 15% das ações seriam ofertadas diretamente ao mercado e outros 30% destinados a um investidor estratégico.
Mas os comunicados oficiais indicam que o percentual pode chegar a 50,03% do capital da empresa, o que corresponde à totalidade da participação atualmente detida pelo governo de Minas.
Na prática, isso abre caminho para que o Estado deixe completamente o controle da companhia de saneamento.
Privatização pode ocorrer com apenas um interessado
O processo também chama atenção pelo baixo número de concorrentes interessados na operação.
No início de maio, o governador Mateus Simões confirmou que duas empresas haviam sido credenciadas para disputar a operação: a Aegea Saneamento e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
No entanto, após a divulgação das regras da oferta, a Sabesp informou publicamente que não pretende avançar na disputa pelos ativos da companhia mineira.
Com isso, a Aegea pode acabar se tornando a única interessada na privatização da Copasa, cenário que já começa a gerar questionamentos de setores políticos e sindicais sobre concorrência e formação de preço da operação.
Debate político deve aumentar
A venda da Copasa já provoca forte disputa política em Minas Gerais.
Aliados do governo defendem a privatização como alternativa para reduzir a dívida estadual e ampliar investimentos em saneamento. Já sindicatos e partidos de oposição afirmam que o processo pode resultar em perda de controle público sobre um serviço essencial e questionam a venda em um momento de oscilação no valor das ações.
O tema deve ganhar ainda mais espaço nas próximas semanas, à medida que o processo avança no mercado financeiro.






