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Home Notícias Brasil

Congresso derruba vetos de Lula e reabre brecha para uso político de recursos públicos

Parlamentares restauram regras que flexibilizam repasses em ano eleitoral e ampliam risco de uso da máquina pública durante campanhas

Por Redação
21 de maio de 2026 - 16:04
em Brasil
Confusão em área nobre de Brasília envolve parlamentar e garota de programa

Crédito: Marcos Oliveira | Agência Senado

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Em uma derrota para o governo federal, o Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (21) vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tentavam impedir a flexibilização de regras sobre repasses públicos em pleno período eleitoral.

A decisão reabre brechas criticadas por integrantes da base governista, que enxergam risco de uso político da máquina pública às vésperas das eleições de 2026.

Na prática, deputados e senadores restauraram dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que permitem transferências de bens, dinheiro e benefícios a estados e municípios mesmo nos três meses anteriores às eleições, período em que esse tipo de prática normalmente é restringido pela legislação eleitoral.

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Lula tentou barrar medida

O presidente Lula havia vetado os dispositivos sob argumento de inconstitucionalidade e risco ao interesse público.

Segundo o Palácio do Planalto, a LDO não poderia criar exceções à Lei Eleitoral, que justamente proíbe esse tipo de movimentação em período de campanha para evitar favorecimento político e compra indireta de apoio eleitoral.

Mesmo assim, a maioria do Congresso decidiu restaurar as regras.

Nos bastidores, a derrubada dos vetos foi vista como mais um movimento do Legislativo para ampliar o controle sobre recursos públicos em ano pré-eleitoral.

Brecha amplia risco de uso eleitoral da máquina pública

Pela legislação atual, governos ficam proibidos de distribuir benefícios, bens ou vantagens em período eleitoral justamente para impedir o uso da estrutura pública em favor de candidatos aliados.

Com a mudança aprovada pelos parlamentares, essas transferências poderão continuar ocorrendo desde que exista alguma contrapartida formal do beneficiário.

Críticos da medida afirmam que o dispositivo abre caminho para uma espécie de “farra com dinheiro público” em pleno calendário eleitoral, permitindo que verbas, equipamentos e benefícios sejam usados politicamente em redutos eleitorais.

A deputada Erika Kokay, do PT, defendeu a manutenção do veto e alertou para os riscos da flexibilização.

Já parlamentares ligados ao Centrão e a bancadas municipalistas argumentaram que prefeituras dependem desses recursos para manter serviços e investimentos.

Municípios inadimplentes também poderão receber verbas

Outro veto derrubado pelo Congresso permite que municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes continuem recebendo transferências voluntárias e firmando convênios com a União.

O governo federal havia barrado a proposta alegando afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal e risco de enfraquecimento dos mecanismos de controle fiscal.

Mesmo assim, o texto foi restaurado pelos parlamentares.

Durante a sessão, o deputado Chico Alencar, do PSOL, criticou duramente a medida e afirmou que parte das mudanças aprovadas representa uma “permissividade para compra de votos”.

Congresso amplia pressão sobre controle do orçamento

A sessão desta quinta-feira também derrubou vetos relacionados a investimentos em rodovias estaduais, municipais e hidrovias, ampliando as possibilidades de repasses federais fora da competência direta da União.

A decisão reforça um cenário de crescente disputa entre Congresso e Executivo pelo controle do Orçamento público.

Nos últimos anos, o Legislativo passou a ter influência cada vez maior sobre verbas federais por meio de emendas parlamentares e alterações nas regras orçamentárias.

Para integrantes do governo, a derrubada dos vetos representa mais um enfraquecimento dos mecanismos de controle sobre gastos públicos justamente em um período sensível do calendário político.

Tema deve gerar novo embate eleitoral

A flexibilização das regras já começa a provocar reações dentro e fora do Congresso.

Setores governistas avaliam que o tema pode alimentar novos questionamentos sobre transparência e uso eleitoral de recursos públicos em 2026.

Já parlamentares da oposição e do Centrão defendem que as medidas apenas garantem maior autonomia para estados e municípios executarem obras e serviços sem paralisação em ano eleitoral.

O texto segue agora para promulgação.

Tags: Congresso Nacionaleleições 2026LDOLulaorçamento públicovetos
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