Júlio César Siqueira da Silva, 60 anos, sempre deixou consultas médicas para depois. Recentemente, resolveu procurar a unidade de saúde perto de casa para uma avaliação de rotina. O que seria apenas um check-up acabou revelando um quadro mais grave: exames apontaram alterações importantes e, após investigação completa, veio o diagnóstico de câncer de próstata em estágio avançado.
“Fiquei surpreso. Não sentia nenhum sinal de que algo estava errado. A operação foi necessária e deu certo. Meu PSA, que estava em sessenta, caiu para um. Agora, sigo para a radioterapia para concluir o tratamento”, contou. Ele é paciente do Hospital Alberto Cavalcanti (HAC), unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) especializada em oncologia.
O hospital registra volume expressivo de atendimentos. Em dois mil e vinte e quatro, foram mais de mil e trezentas consultas relacionadas ao câncer de próstata e cento e vinte e oito cirurgias. Até outubro de dois mil e vinte e cinco, a equipe já havia realizado cento e vinte e seis procedimentos e cerca de mil e duzentas consultas.
Câncer silencioso e fatores de risco
O urologista Diego Zille explica que o tumor costuma surgir em uma área da próstata que não provoca sintomas no início, o que atrasa a descoberta da doença. “Quando o paciente percebe algo diferente, na maioria das vezes o câncer já avançou”, afirma. Entre os sinais mais comuns nas fases tardias estão sangramento urinário, dor na região pélvica e dor óssea, muitas vezes relacionada à metástase.
A idade é o principal fator de risco: homens acima de 65 anos representam a maior parte dos diagnósticos. Histórico familiar, alimentação rica em gordura animal, consumo frequente de ultraprocessados, sedentarismo, tabagismo e exposição a substâncias químicas também aumentam a probabilidade de adoecimento. O tumor é mais frequente entre homens negros e pardos.
Por isso, exames preventivos são fundamentais. “Recomendamos iniciar o acompanhamento a partir dos cinquenta anos. Para quem tem fatores de risco, o ideal é começar aos quarenta e cinco”, orienta o urologista.
Estilo de vida e prevenção
Boas práticas no dia a dia ajudam a reduzir o risco. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso corporal e abandono do cigarro estão entre as medidas mais recomendadas.
Quando o câncer é detectado cedo, as chances de cura são altas. Em tumores restritos à próstata, elas variam de noventa a noventa e oito por cento. A sobrevida em cinco anos é praticamente integral.
Além do câncer de próstata
O Novembro Azul também chama atenção para a saúde masculina de forma ampla. “Os homens costumam adiar consultas e exames. Essa negligência impacta na expectativa de vida”, explica Zille. Ele afirma que, durante as avaliações, é comum identificar problemas metabólicos, hipertensão ou diabetes que ainda não haviam sido diagnosticados.
“O cuidado regular é essencial. A campanha reforça a importância de superar preconceitos e manter um acompanhamento contínuo da saúde”, conclui.
*Com informações da Agência Minas






