A ex-vereadora do Rio de Janeiro Luciana Novaes morreu aos 42 anos, na última segunda-feira (27), após complicações de saúde. A informação foi confirmada por sua assessoria, que apontou uma intercorrência súbita, compatível com o rompimento de um aneurisma cerebral.
Luciana estava internada quando apresentou agravamento do quadro neurológico. Diante da evolução clínica, foi aberto protocolo de morte encefálica, condição caracterizada pela perda irreversível das funções cerebrais.
A ex-parlamentar ficou conhecida nacionalmente após ser vítima de um disparo de arma de fogo em 2003, no campus da Universidade Estácio de Sá, no bairro Rio Comprido. O tiro, classificado como “bala perdida”, a deixou tetraplégica e mudou completamente sua trajetória.
Trajetória política e atuação
Formada em Serviço Social, Luciana entrou para a política em 2016, eleita vereadora pelo Partido dos Trabalhadores. Foi a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Ao longo de sua atuação, exerceu três mandatos e participou da elaboração de cerca de 200 leis. Sua atuação foi marcada pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência, além de pautas ligadas à inclusão social, mobilidade urbana e acesso à educação.
Entre os projetos de destaque está a Lei 8.781 de 2025, que instituiu a Política Municipal de Rotas Acessíveis, voltada à melhoria das condições de mobilidade para pessoas com deficiência, idosos e cidadãos com mobilidade reduzida.
Luciana também presidiu a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência na Câmara e foi autora de iniciativas que ampliaram o acesso de estudantes com deficiência a escolas próximas de suas residências, além de propor adaptações em avaliações para alunos com deficiência intelectual.
Caso que marcou sua vida
O episódio de 2003 foi determinante para sua entrada na vida pública. Após o disparo que a deixou tetraplégica, Luciana passou a atuar na defesa de políticas públicas voltadas à acessibilidade e inclusão, transformando a experiência pessoal em bandeira política.
Mesmo diante das limitações físicas, concluiu a graduação e se especializou em Gestão Governamental, consolidando-se como uma das principais vozes sobre o tema no Legislativo carioca.
Repercussão
A morte da ex-vereadora gerou manifestações de autoridades e representantes da sociedade civil. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, decretou luto oficial de três dias.
O presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado, destacou a trajetória da ex-parlamentar e sua contribuição para políticas públicas de inclusão.
Em nota, a Câmara ressaltou o legado de Luciana Novaes como uma referência na defesa dos direitos das pessoas com deficiência e na construção de políticas voltadas à justiça social.
*Edição: Ageu Ebert






