A prévia da inflação oficial do país registrou alta em abril, pressionada principalmente pelos preços dos combustíveis e dos alimentos. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,89% no mês.
O resultado representa aceleração em relação ao mesmo período do mês anterior e é o maior índice desde fevereiro. No acumulado de 12 meses, o indicador chegou a 4,37%, acima dos 3,9% registrados até março.
Alimentos pesam no orçamento
O grupo alimentação e bebidas teve a maior variação entre os segmentos pesquisados, com alta de 1,46%, sendo o principal responsável pelo impacto no índice geral. Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio avançou ainda mais, chegando a 1,77%.
Entre os itens que mais subiram estão cenoura, cebola, leite longa vida e tomate, além das carnes, que também registraram aumento. A alimentação fora de casa também encareceu, com alta de 0,70%.
Especialistas apontam que o período de entressafra contribui para a redução da oferta de alguns produtos, pressionando os preços.
Combustíveis impulsionam transportes
Outro fator determinante para o avanço da inflação foi o grupo transportes, que subiu 1,34%. O principal impacto veio dos combustíveis, com alta média de 6,06% no mês.
A gasolina foi o item com maior peso individual no índice, com aumento de 6,23%. O óleo diesel teve alta ainda mais expressiva, de 16%, refletindo diretamente no custo do transporte e da cadeia produtiva.
Cenário internacional influencia preços
A elevação dos combustíveis está ligada, em parte, ao cenário externo. A instabilidade no Oriente Médio, especialmente envolvendo tensões com o Irã e impactos no Estreito de Ormuz — rota estratégica para o petróleo mundial — tem afetado a oferta global e pressionado os preços.
Como o petróleo é uma commodity com cotação internacional, oscilações no mercado externo acabam sendo repassadas, em maior ou menor grau, ao consumidor brasileiro.
Demais grupos e comportamento geral
Além de alimentação e transportes, outros grupos também apresentaram alta, como saúde e cuidados pessoais (0,93%) e habitação (0,42%). Educação teve variação praticamente estável.
O IPCA-15 segue dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação do país, que é de 3% ao ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Diferença entre IPCA e IPCA-15
A principal diferença entre o IPCA-15 e o índice oficial cheio está no período de coleta de preços. A prévia é calculada antes do fim do mês, enquanto o IPCA considera o mês completo.
O índice divulgado agora leva em conta preços coletados entre 18 de março e 15 de abril. O resultado final do IPCA de abril será conhecido em maio.






