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Home Notícias Brasil

Moraes dá 15 dias para PGR decidir próximos passos após Flávio Bolsonaro recusar depoimento à PF

Ministro do STF devolve inquérito à Procuradoria-Geral da República depois que senador apresentou defesa por escrito e optou por não prestar depoimento presencial

Por Redação
28 de julho de 2026 - 17:30
em Brasil

Antonio Cruz/ABR. 

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) o retorno à Procuradoria-Geral da República (PGR) do inquérito que investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta prática do crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na decisão, Moraes concedeu prazo de 15 dias para que o órgão se manifeste sobre a recusa do parlamentar em comparecer ao depoimento marcado pela Polícia Federal (PF).

O despacho foi proferido após a PF informar ao Supremo que Flávio Bolsonaro, embora regularmente intimado, optou por não prestar depoimento e apresentou uma manifestação escrita por meio de seus advogados.

“Demonstrada a intenção de Flávio Nantes Bolsonaro em não comparecer à Polícia Federal para prestar depoimento, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República, determino o retorno dos autos ao Ministério Público para manifestação, no prazo de 15 dias”, escreveu Alexandre de Moraes.

A decisão recoloca a PGR no centro do caso, cabendo ao órgão definir quais medidas deverão ser adotadas após a manifestação do senador.

Defesa escrita substituiu depoimento

O depoimento estava marcado para as 14h desta terça-feira, mas os advogados de Flávio Bolsonaro encaminharam ao delegado responsável pelo inquérito uma petição na qual o senador apresenta sua defesa e solicita que o documento substitua o interrogatório presencial.

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Na condição de investigado, Flávio não é obrigado a comparecer à Polícia Federal nem a produzir provas contra si, direito garantido pela Constituição Federal.

Após receber a comunicação da defesa, o delegado Antônio Carlos Knoll informou oficialmente ao STF que o parlamentar foi devidamente intimado, mas exerceu o direito de não prestar depoimento.

PGR havia solicitado novo interrogatório

A nova manifestação da Procuradoria-Geral da República tornou-se necessária porque foi o próprio procurador-geral Paulo Gonet quem pediu a realização do depoimento após a conclusão das investigações.

Em junho, a Polícia Federal encerrou o inquérito e concluiu que Flávio Bolsonaro teria cometido calúnia ao associar o presidente Lula a crimes em uma publicação feita na rede social X.

Antes de analisar o caso, Gonet entendeu que o senador deveria ser ouvido porque a legislação penal prevê a possibilidade de retratação nos crimes de calúnia. Caso ela ocorra e seja considerada válida, poderá afastar eventual responsabilização criminal.

Como Flávio optou por não comparecer e apresentou apenas uma defesa escrita, caberá agora à PGR avaliar se o documento supre a finalidade do depoimento solicitado ou se outras providências deverão ser adotadas.

Publicação é alvo da investigação

A investigação teve origem em uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro deste ano, logo após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Na mensagem, o senador escreveu:

“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas.”

Para a Polícia Federal, a publicação atribuiu ao presidente da República a prática de crimes sem a apresentação de provas, configurando, em tese, o crime de calúnia.

Já a defesa sustenta que a postagem não imputou diretamente qualquer conduta criminosa a Lula e que a interpretação adotada pela investigação extrapola o conteúdo do texto publicado.

O que acontece agora

Com o despacho de Alexandre de Moraes, o inquérito volta à Procuradoria-Geral da República, que terá 15 dias para apresentar sua manifestação ao Supremo.

Entre as possibilidades, a PGR poderá considerar suficiente a defesa escrita apresentada pelo senador, solicitar novas diligências, entender que ainda há necessidade de outras medidas investigativas ou decidir pelo oferecimento — ou não — de denúncia ao STF.

A manifestação do Ministério Público será determinante para definir os próximos passos do processo e orientar a decisão do relator sobre o futuro da investigação.

Tags: Alexandre de MoraescalúniaFlávio BolsonaroinquéritoLulaPaulo GonetPGRPolícia FederalSTF
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