Rio de Janeiro - Na única vez que participei do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 2004, as tirinhas do Érico San Juan estavam lá, na parede, ao lado das minhas.
Ele também estava lá. Aliás, acho que ele esteve em todas as exposições, desde que visitou o Salão pela primeira vez, em 1985, com os pais.
Nascido em Piracicaba, no dia 3 de janeiro de 1976, filho de Antonio Monteiro San Juan e Maria José Gaspar San Juan, Érico San Juan é um cartunista e ilustrador, graduado em Design Gráfico pela Unimep e radialista pelo Senac.
Fez seus primeiros desenhos, ainda criança, no antigo pré-primário, na escola Honorato Faustino, em Piracicaba. Aos seis anos de idade produziu seu primeiro gibi – um fanzine escrito, roteirizado e desenhado por ele – e nunca mais parou de desenhar.
Fã do desenhista Edson Rontani, pioneiro dos quadrinhos e do desenho de humor em Piracicaba, Érico começou a publicar seus trabalhos em 1988, aos 12 anos, publicando as tirinhas do peixinho Leco, no caderno infantil do antigo jornal “O Diário”.
Em 1991, com 15 anos, começou a vida profissional como ilustrador. Seus primeiros trabalhos foram publicados no “Jornal de Piracicaba”, onde atuou como ilustrador durante 12 anos - de 1993 a 2005. No suplemento infantil “Jornalzinho”, criou a tira diária “Dito, o bendito”, que completa 32 anos em 2025.
Saltou das páginas dos suplementos infantis do jornal “O Diário” e do “Jornal de Piracicaba”, nos anos 80 e 90, para o sucesso nos salões de humor do país, entre eles, o de Piracicaba (SP), Porto Alegre (RS), Paraguaçu Paulista (SP), João Pessoa (PB), Teresina (PI) e Votuporanga (PR); sendo premiado em Santos e Guaíra (SP), e na Bienal Internacional da Caricatura no Rio de Janeiro.
Tem participado de comissões de seleção e julgamento em praticamente todas as edições do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, onde também teve trabalhos selecionados em 2004, 2005, 2006, 2009 e 2010.
Suas principais influências no desenho de humor são os cartunistas Spacca da “Folha de São Paulo” e Baptistão que publicava no “Estadão". O sucesso veio com o personagem “Dito, o bendito”, que ele mesmo admite ser o “Zé Carioca de Piracicaba”, influências dos gibis de Walt Disney que lia na infância.
“Nas tirinhas, Dito é um avô em constantes conflitos virtuais com seu neto Beto. As tretas entre eles acontecem somente tela a tela, nunca cara a cara”, conta o artista.

Dito também já apareceu em dois livros de quadrinhos exclusivos, em 1995 e 2013, do professor e pesquisador Henrique Magalhães, publicados pela "Editora Marca de Fantasia".
Integrou coletâneas com outros autores: “Os Quinze de Piracicaba”, da "Editora Imprensa Oficial do Estado de SP" e “PiraCartum”, da editora "Nova Consciência"; “Central de Tiras”, publicado por "Via Lettera" e “Tiras de Letra Outra Vez”, lançada pela "Virgo".
O Dito também esteve em obras de referência e resgate histórico dos quadrinhos nacionais com o personagem em “Tiras Brasileiras”, de Luigi Rocco; e “O negro nos quadrinhos do Brasil”, de Nobu Chinen, entre outros.
Em 2016, quando completou 25 anos de carreira, Érico lançou uma coleção em quatro volumes dos seus trabalhos, sendo finalista do "Troféu HQ Mix", na categoria Publicação de Humor Gráfico.
Publicou caricaturas, textos de humor e quadrinhos em revistas e livros das editoras Panini, Globo, Moderna, Saraiva, Via Lettera, LIterary Books International, Bregantini, Virgo, Zodíaco, Marca de Fantasia, Peirópolis, Laços, Imprensa Oficial de São Paulo e Rio de Janeiro.
Integrou mais de setenta exposições, com trabalhos na Bienal Internacional da Caricatura (Rio de Janeiro), Museo de Humor Grafico Diogenes Taborda (Argentina) e Salão Internacional de Humor de Piracicaba.
Editou o jornal de humor “Caricaras” (2007) e a revista em quadrinhos “Dito, o bendito” (2021). Em 2021, produziu o “Ilustre Podcast”, programa de entrevistas com artistas e jornalistas brasileiros.
Em novembro de 2023 cria e edita a página de humor semanal "Capiau", no jornal "A Tribuna Piracicabana", com trabalhos seus e de cartunistas brasileiros. Em abril de 2024 "Capiau" se torna um jornal mensal.
No mesmo ano, participou como chargista convidado do programa “Roda Viva”, da “TV Cultura”. Ainda em 2023, apresenta um quadro sobre caricaturados e suas caricaturas no programa de Fernando Vítolo no "YouTube", revezando com Heródoto Barbeiro e outros colunistas.
Recentemente, lançou - em dois volumes - o livro “30 Anos de Humor Gráfico”, com uma seleção de caricaturas publicadas em jornais, revistas, livros e na internet.
Diante da batalha que é ser artista no Brasil, o cartunista costuma dizer: “Hora eu vivo, hora eu sobrevivo”.
Para o bem do humor brasileiro.
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