A discussão sobre feminicídio voltou ao centro do debate público em 2025, impulsionada por novos levantamentos e pela sequência de casos que expõem falhas de proteção, investigação e prevenção. Os números consolidados já divulgados por fontes oficiais mostram que a violência de gênero segue com patamar elevado no país — e que parte do retrato de 2025 ainda depende de fechamento completo das bases nacionais.
Pelos dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, do Observatório da Mulher contra a Violência (Senado Federal), o Brasil registrou 718 feminicídios apenas no primeiro semestre de 2025 (janeiro a junho), o equivalente a cerca de quatro mortes por dia.
No recorte do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgado ao longo de 2025 com base em registros do sistema nacional, o país somava 1.075 mulheres vítimas de feminicídio até setembro e 2.763 tentativas no mesmo período — um indicador importante porque as tentativas costumam anteceder casos consumados quando a vítima não consegue romper o ciclo de violência e acessar proteção a tempo.
Além da violência letal, a dimensão “invisível” do problema aparece com força em pesquisas de vitimização. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (DataSenado) estimou que, em 2025, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores ao levantamento. Ou seja: há um volume muito maior de agressões do que o que chega ao estágio extremo do feminicídio — e parte significativa não vira ocorrência formal.
O que os dados de 2025 ajudam a entender
Os levantamentos divulgados ao longo de 2025 apontam três sinais que se repetem:
- O feminicídio não é um “pico” isolado
Quando a pesquisa identifica milhões de vítimas em um ano, ela indica um ambiente em que agressões, ameaças e controle aparecem antes do crime extremo. - As estatísticas de 2025 já são altas mesmo antes do fechamento anual
Com 718 casos no 1º semestre e 1.075 até setembro, o país chegou a quatro dígitos ainda dentro do ano, segundo bases oficiais. - O atendimento e a denúncia seguem sendo parte decisiva da prevenção
Em 2025, o Ligue 180 registrou mais de 877 mil atendimentos entre janeiro e outubro, segundo balanço oficial, mostrando demanda constante por orientação e encaminhamento.
Recortes regionais: o que aparece em estados e capitais
Em São Paulo, por exemplo, dados oficiais estaduais indicaram 207 feminicídios no estado entre janeiro e outubro de 2025; na capital, foram 53 no mesmo período. Esses recortes ajudam a visualizar a pressão sobre as redes locais de proteção e atendimento, que variam muito entre municípios.
Onde pedir ajuda e como denunciar
- Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): serviço gratuito, 24 horas, todos os dias, com orientação e encaminhamento de denúncias.
- Emergência: 190 (Polícia Militar), quando houver risco imediato.
- Serviço do governo federal “Denunciar e buscar ajuda” reúne orientações e caminhos para atendimento na rede local.
Se você conhece alguém em risco, uma atitude simples pode salvar vidas: oferecer um local seguro para ligar, ajudar a buscar a rede de atendimento e, em situação de emergência, acionar a polícia.






