“Acreditar, eu não/Recomeçar, jamais
A vida foi em frente/E você simplesmente
Não viu que ficou pra trás
Acreditar, eu não/Recomeçar, jamais
A vida foi em frente/E você simplesmente
Não viu que ficou pra trás
Não sei se você me enganou/Pois quando você tropeçou
Não viu o tempo que passou/Não viu que ele lhe carregava
A saudade lhe entregava/Com aval da imensa dor
E eu, que agora, moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me traz
E eu, que agora, moro nos braços da paz
Ignoro o passado que hoje você me traz”
– Marineth, há 50 anos, Roberto Ribeiro lançou o disco Arrasta povo, tendo no repertório “Acreditar”, música de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho. O disco tornou-se marco do samba. Consolidou a carreira do intérprete, cujo nome de batismo é Dermeval Miranda Maciel. Ele, na opinião de Jorge Aragão, é nosso melhor cantor de samba. Admirado também por outros artistas e cultuado por uma legião de fãs, sofreu trágica morte. Foi atropelado, em 1996, já tendo perdido a visão de um olho, em razão de contaminação por fungo, agravada pelo diabetes.
– Athaliba, às vezes, coloco o disco pra rodar na vitrola. Tem as faixas “Tempo ê”, Zé Luiz e Nelson Rufino; “O quitandeiro”, Monarco e Paulo da Portela; “Samba do Irajá”, Nei Lopes; “Podes rir”, Comprido e Daniel de Santana; “Império bamba”, Joel Meneses e Roberto Ribeiro; “Glórias e graças da Bahia”, Silas de Oliveira e Joacyr Santana; “Lua aberta”, João de Aquino e Paulo Frederico; “Rose”, Ederaldo Gentil e Nelson Rufino; “Samba no sofá”, Geraldo Babão e Dicró; “Meu pranto continua”, Jorge Lucas e Walter de Oliveira; e “Moda-ruê”, Wilson Moreira, Maneco e Heitor.
– Marineth, o disco Arrasta povo tem texto de apresentação do Roberto Moura, jornalista e crítico de música. Trata-se do saudoso companheiro de militância político-sindical na Associação Brasileira de Imprensa – ABI – e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro – SJPMRJ. Ele faleceu em 26/10/2005, vítima de febre maculosa contraída na Pousada Capim Limão, em Itaipava, Petrópolis. Duas outras pessoas – Fernando Villas Boas Filho, que morreu, e uma turista baiana – também ficaram contaminadas.
– Athaliba, nas gravações do quarto dos 15 discos do Roberto Ribeiro participaram Altamiro Carrilho (flauta), Abel Ferreira (clarinete), Carlinhos (cavaquinho), Cabelinho (surdo), Jorginho do Pandeiro (pandeiro), João de Aquino (violão), Geraldo Bongo (atabaque e tumbadora), Gordinho (surdo), Marçal (cuica e tamborim), Valdir (violão de sete cordas), Nelsinho (chocalho) e o Wilson das Neves (bateria), entre outros instrumentistas.
– Marineth, o Roberto Ribeiro, nascido 20/6 de 1940, em Campos dos Goytacazes, era um craque de bola. Treinou no Fluminense, time de coração do Chico Buarque de Holanda. Mas, sua paixão pela música o fez dispensar a carreira de jogador. E olha que tinha quem apostava que ele poderia vestir o uniforme da seleção brasileira de futebol. Não eram apenas os torcedores do Cruzeiro e do Rio Branco que acreditavam no Pneu, apelido dele em Campos.
– Athaliba, creio que o Roberto Ribeiro fez a escolha certa em seguir a carreira artística, no feeling do olhar da compositora Liette de Souza, com quem casou. Ela o apresentou aos bambas da Império Serrano, agremiação que se tornou sua paixão e que defendeu cantando clássicos do samba-enredo no desfiles, como “Nordeste, seu povo, seu canto e sua glória”. Samba de Wilson Diabo, Maneco e Heitor Achiles.
– Marineth, em 1972, após ele gravar músicas num compacto simples e em dois compactos duplos, com a Elza Soares, a gravadora Odeon manteve os dois artistas no disco Sangue, suor e raça. Bem, na saudade dele, dedico a crônica à tricolor Karina Monteiro, dedicada e competente técnica de enfermagem do Hospital Estadual Azevedo Lima – HEAL -, em Niterói, por onde passei pela 3ª cirurgia no tornozelo. Ela, na bancada acadêmica, busca salto na profissão. Tô na torcida!






