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Home Notícias Brasil

“Pode chorar”: bate-boca entre Gilmar e Mendonça termina com Dino suspendendo julgamento

Ministros trocaram acusações aos gritos; Dino disse que STF não tinha mais condições de deliberar e pediu vista do processo

Por Redação
15 de setembro de 2026 - 18:53
em Brasil
“Pode chorar”: bate-boca entre Gilmar e Mendonça termina com Dino suspendendo julgamento

Foto: Alejandro Zambrana/STF

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O julgamento sobre a crise envolvendo o Banco Master terminou nesta terça-feira (15) em meio a um novo e acalorado bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça. A discussão chegou ao ponto de Flávio Dino pedir vista do processo, afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) já não tinha condições de continuar deliberando naquele ambiente.

O confronto começou quando Gilmar saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que havia negado qualquer relação de proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Gilmar acusou Mendonça de fazer ilações contra o procurador-geral e elevou o tom.

“É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, afirmou.

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Mendonça reagiu aos gritos:

“A desfaçatez de Vossa Excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”

Gilmar respondeu:

“Pode chorar, pode chorar.”

“Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite!”, retrucou Mendonça.

A discussão foi mais um capítulo de uma sessão marcada por sucessivos confrontos entre integrantes do Supremo.

Gilmar e Mendonça já haviam trocado acusações anteriormente. O decano acusou o colega de conduzir o caso com viés eleitoral, chamou-o de “aprendiz de feiticeiro” e chegou a afirmar que “até a máfia tem ética”. Mendonça respondeu classificando Gilmar como “leviano” e cobrou respeito.

Diante do novo bate-boca, Dino decidiu interromper o julgamento com um pedido de vista.

O ministro afirmou que esperava uma reação do presidente da Corte, Edson Fachin, e considerou que o ambiente já não permitia a continuidade da sessão.

“Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda”, afirmou Dino.

Fux também entra na discussão

Antes do encerramento, outra troca de declarações chamou a atenção.

Ao comentar as mensagens encontradas no celular de Vorcaro envolvendo integrantes do Supremo, Luiz Fux afirmou que não havia conteúdo relacionado a ele.

“Mensagem comigo não tem”, disse.

Dino contestou imediatamente:

“Tem, ministro Fux. Tem.”

Fux respondeu:

“Comigo não tem. Nunca vi esse sujeito na minha vida. Só se Vossa Excelência está se baseando nesses inquéritos que surgem do nada.”

Dino então afirmou:

“Ministro Fux, Vossa Excelência terá que esclarecer isso num momento próprio. Infelizmente.”

Dino não detalhou durante a discussão qual seria o conteúdo da mensagem envolvendo Fux. Informações já reveladas sobre o material extraído do celular de Vorcaro mencionam Rodrigo Fux, filho do ministro, mas a existência de referência a uma pessoa próxima não significa, por si só, envolvimento do integrante do STF em irregularidades.

O pedido de vista encerrou uma sessão de mais de oito horas sem que o Supremo decidisse se Alexandre de Moraes será investigado. O julgamento foi suspenso quando o placar provisório estava em 4 a 3 pela manutenção separada dos casos envolvendo Moraes e André Mendonça.

Tags: André MendonçaBanco Mastercaso MasterDaniel VorcaroEdson FachinFlávio DinoGilmar MendesLuiz FuxPaulo GonetSTF
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