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Home Notícias Brasil

PGR pede ao STF rejeição de recurso de Bolsonaro e defende manutenção de condenação por trama golpista

Parecer enviado ao Supremo afirma que defesa não apresentou fatos novos capazes de justificar revisão da sentença que condenou o ex-presidente a mais de 27 anos de prisão

Por Redação
17 de junho de 2026 - 08:47
em Brasil

Victor Piemonte/STF. 

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o pedido apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para reverter a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Em parecer encaminhado nesta terça-feira (16) ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a rejeição da revisão criminal apresentada pela defesa do ex-presidente e sustentou que não existem elementos novos capazes de justificar a anulação ou modificação da sentença.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na articulação de ações destinadas a impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e romper a ordem democrática.

Segundo Gonet, todas as alegações apresentadas pelos advogados já foram analisadas ao longo da tramitação do processo e não trazem fatos inéditos que permitam reabrir a discussão judicial.

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No documento, a Procuradoria afirma que a condenação está fundamentada em um conjunto robusto de provas reunidas durante a investigação e posteriormente examinadas pelo Supremo.

Para o chefe do Ministério Público Federal, a defesa não demonstrou qualquer irregularidade capaz de comprometer a validade da decisão já transitada em julgado.

Defesa questiona competência da Primeira Turma

O pedido de revisão criminal foi protocolado pela defesa de Bolsonaro em maio deste ano.

Os advogados argumentam que houve erro judiciário durante a condução do processo e sustentam que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário do STF, e não na Primeira Turma da Corte.

Outro ponto questionado é o acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid. A defesa alega que a delação não teria sido prestada de forma voluntária e, por isso, deveria ser anulada.

Os advogados também afirmam que não tiveram acesso integral a elementos da investigação e sustentam que não existem provas suficientes para vincular Bolsonaro aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 ou à suposta coordenação de um plano golpista.

Gonet afirma que recurso não apresenta novidade jurídica

No parecer, a PGR argumenta que os requisitos legais para uma revisão criminal não foram preenchidos.

Esse tipo de recurso é admitido apenas em situações excepcionais, como a descoberta de novas provas, demonstração de falsidade documental ou comprovação de erro evidente na condenação.

Segundo Paulo Gonet, nenhuma dessas hipóteses foi demonstrada pela defesa.

O procurador afirma que as teses apresentadas reproduzem argumentos já examinados durante o julgamento e que não há elementos capazes de modificar a conclusão alcançada pelo Supremo.

Julgamento ficará com a Segunda Turma

Embora a condenação tenha sido proferida pela Primeira Turma do STF, a análise do pedido de revisão criminal ficará sob responsabilidade da Segunda Turma, conforme prevê o regimento interno da Corte.

O colegiado é composto pelos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

A relatoria foi distribuída ao ministro Nunes Marques, indicado ao Supremo durante o governo Bolsonaro.

Ainda não existe previsão para que o recurso seja levado a julgamento.

Condenação integra série de processos ligados à tentativa de ruptura institucional

A condenação do ex-presidente integra o conjunto de ações penais relacionadas à investigação sobre a tentativa de impedir a transição de governo após as eleições presidenciais de 2022.

Ao longo do processo, a Procuradoria sustentou que Bolsonaro participou da articulação política e institucional que buscava criar condições para uma ruptura democrática.

A defesa sempre negou qualquer envolvimento em iniciativas golpistas e afirma que o ex-presidente é alvo de perseguição política.

Enquanto aguarda a análise da revisão criminal, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar temporária por questões de saúde, conforme decisão judicial vigente.

Tags: BrasíliaJair BolsonaroJustiçaPaulo GonetPGRpolíticaSTF
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