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Talento de Milton no Minas

Por Lenin Novaes
29 de dezembro de 2025 - 09:27 - Última atualização: 30 de dezembro de 2025 - 12:51
em Colunas
Talento de Milton no Minas

Milton na capa do Minas, em foto de Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi. | Reprodução

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“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada/
Agora não espero mais aquela madrugada/
Vai ser, vai ser, vai ter de ser/Vai ser faca amolada/
O brilho cego de paixão/É fé, faca amolada”

– Marineth, a música “Fé cega, faca amolada”, com abertura vocalizada nos versos acima, embalou a resistência contra a ditadura do golpe empresarial/militar, no período 1964/1985. Está eternizada na voz de Elis Regina e, também, de Milton Nascimento, que ele interpreta com o Beto Guedes no LP Minas. A composição do Milton, parceria com Ronaldo Bastos, integra o repertório do 7º disco do Bituca, apelido do artista, lançado em 1975. Completa, assim, 50 anos, neste ano de 2025. É o talento de Milton no Minas, sob os arranjos do músico e maestro Wagner Tiso.

– Athaliba, a música se conclui com “Deixar a sua luz brilhar/E ser muito tranquilo/Deixar o seu amor crescer/E ser muito tranquilo/Brilhar, brilhar, acontecer/Brilhar faca amolada/Irmão, irmã irmão de fé/faca amolada/Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia/Beber o vinho e renascer na luz de todo dia/A fé, a fé, paixão e fé, a fé/faca amolada/O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada”. Diz-se que o título do disco foi sugestão de um garoto chamado Rúbio. Ele juntou as primeiras sílabas do nome e sobrenome do artista: Mil+Nas = Minas.

– Marineth, o repertório completo do disco tem a música que dá título ao álbum, “Minas”, de autoria de Novelli; “Beijo partido”, de Toninho Horta; “Saudade dos aviões da Panair”, de Milton e Fernando Brant; “Gran circo”, Milton e Márcio Borges; “Ponta de areia”, Milton e Fernando Brant; “Trastevere”, de Milton e Ronaldo Bastos; “Idolatrada”, de Milton e Fernando Brant; “Leila”, de Milton; “Paula e Bebeto”, de Milton e Caetano Veloso; “Simples”, de Nelson Ângelo; “Norwegian wood’, de Lennon e McCartney; e “Caso você queira saber”, de Beto Guedes e Márcio Borges.

– Athaliba, como em textos de cantores (as) não se divulga relação dos músicos partícipes das gravações, é importante destacar o timaço do Minas. Além, óbvio, do Milton, na voz, violão, piano; tem o Wagner Tiso, Beto Guedes, Toninho Horta, Nelson Ângelo, Novelli, Nivaldo Ornelas, Paulinho Braga, Tenório Júnior, Edison Machado e Chico Batera, Nos vocais, Fafá de Belém, o MPB-4, Gegê, o quarteto Golden Boys (irmãos Roberto, Ronaldo, Renato Corrêa e o Waldir da Anunciação), Nana Caymmi, Lizzie Bravo, Joyce, Tavinho Moura, Fernando Leporace.

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– Marineth, o Milton Silva Campos do Nascimento nasceu em 26/10/1942, na Rua conde de Bonfim, na Tijuca, no Rio de Janeiro, filho de Maria do Carmo do Nascimento. Ela faleceu antes do Milton completar dois anos de idade. Então, a avó materna o cedeu à adoção para o casal Lilia Silva Campos, professora de música, e Josino Campos, dono de emissora de rádio. Lilia era filha de casal para o qual a avó do Bituca trabalhava como doméstica. Ela e Josino mudaram-se para Três pontas, em Minas Gerais, de onde o artista se deslanchou para o mundo.

– Isso mesmo, Athaliba. A 2ª edição do Festival Internacional da Canção, em 1967, levou o Bituca a ganhar a atenção e admiração do público. Ele ficou classificado em segundo lugar, com “Travessia”, parceria com Fernando Brant, conquistando o prêmio de melhor intérprete. Outra música de autoria dele, “Morro velho”, obteve a sétima colocação, entre 10 finalistas. O festival foi vencido por Guttemberg Guarabyra, autor de “Margarida”, que cantou acompanhado do Grupo Manifesto. E a terceira colocada foi “Carolina”, de Chico Buarque, cantada por Cynara e Cybele.

– Marienth, a trajetória artística do Milton soma mais de três dezenas de discos, tendo sido indicado à premiação de cinco estatuetas do Grammy ao Melhor Álbum de Música do Mundo. Destacam-se a de Best Word Music Album em 1998 por Nascimento e a de Best Contemporary Pop Album em 2000 do Grammy Latino por Crooner. Na 67ª cerimônia dos Grammy Awards foi indicado na categoria Melhor Álbum Vocal de Jazz, ao lado de Esperanza Spalding. Fez show em vários países da América do Sul, Europa, América do Norte, África e Ásia.

– Athaliba, a despedida das atividades artísticas do Milton aconteceu com show em 2022, para 60 mil pessoas, no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, MG. A jubilação se relaciona aos problemas de saúde. Pois, de acordo com o seu filho adotivo, Augusto Kesrouani Nascimento, ele foi diagnosticado com doença de Parkinson, em 2022 e, em 2025, com demência por corpos de Lewy.

– Marineth, o Milton glorifica a MPB. Sou grato por viver no tempo dele. Salve Bituca!

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Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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