O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi transferido neste sábado (27) para Brasília após ser entregue pelas autoridades paraguaias à Polícia Federal (PF), em Foz do Iguaçu, no Paraná. A remoção ocorreu um dia depois da prisão do ex-dirigente no Paraguai, onde tentava embarcar para El Salvador utilizando um passaporte falso.
O deslocamento até a capital federal foi feito em uma aeronave King Air da Polícia Federal. O voo durou cerca de três horas e pousou no Aeroporto de Brasília por volta das 13h15. Vasques será mantido preso no Complexo Penitenciário da Papuda, especificamente no 19º Batalhão da Polícia Militar, setor conhecido como Papudinha. No mesmo local está custodiado o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Condenação e fuga
Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Núcleo dois da ação penal que apurou a trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. Segundo a acusação, ele utilizou a estrutura da PRF para dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno do pleito presidencial.
Após a condenação, Vasques cumpria prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica. No entanto, na madrugada de Natal, rompeu o equipamento e deixou o país para evitar o cumprimento da pena. A fuga levou o ministro Alexandre de Moraes a decretar a prisão preventiva do ex-diretor.
De acordo com a Polícia Federal, o sinal da tornozeleira eletrônica foi interrompido por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25). Agentes foram até o apartamento do ex-diretor, em São José, na Grande Florianópolis, e constataram que ele já havia deixado o local.
Imagens do sistema de câmeras do prédio mostraram que Vasques esteve no imóvel até as 19h22 da quarta-feira (24), véspera de Natal. Nos registros, ele aparece colocando bolsas no porta-malas de um carro, vestindo calça de moletom preta, camiseta cinza e boné escuro. Durante a fuga, levou ainda um cachorro da raça pitbull, além de ração e tapetes higiênicos.
Contexto
A prisão e a transferência de Silvinei Vasques ocorrem em meio à execução das condenações impostas pelo STF aos envolvidos na trama golpista. O Supremo já condenou dezenas de réus ligados a diferentes núcleos do esquema, incluindo militares, ex-integrantes do governo federal e dirigentes de órgãos de segurança.






