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Home Colunas

Filme do mito de araque

Por Lenin Novaes
19 de maio de 2026 - 08:15
em Colunas
Filme do mito de araque

Filme falseia a história e tenta transformar o mito pés de bafrro em mártir para vender conspirações. (Reprodução)

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– Marineth, o clã Bolsonaro está implodindo, abarrotado de tantos negócios ilícitos (rolos, conforme o linguajar dos meliantes da família) que derramam do caldeirão do filme Dark Horse. A película, pasme, é uma cinebiografia do mito pés de barro que, por infelicidade do Brasil, ocupou o trono da Presidência da República de 1º/1/2019 a 31/12/2022. A história foi escrita pelo ator insignificante Mário Frias, ex-secretário de Cultura no período de junho/2020 a março/2022. Ele, atualmente, é deputado federal pelo Partido Liberal, eleito por São Paulo.

– Athaliba, o oligopólio da imprensa, concentrado nas mãos de poucas famílias, através dos repórteres investigativos, tem que decifrar como o ator estadunidense James Patrick Caviezel Jr. aceitou interpretar o mito pés de barro. Trata-se de grande anacronismo na carreira dele, depois do papel de Jesus, em A paixão de Cristo, filme épico bíblico de 2004, coproduzido e dirigido por Mel Gibson. É preciso saber até que ponto o “papel bordado” (dinheiro) perverte pessoas.

– Marineth, a tradução literal de dark horse é “cavalo escuro”. Mas, também, pode significar “azarão”, “zebra”. E, ainda, “candidato surpresa”. O termo descreve pessoa pouco conhecida que surpreende ao vencer uma competição. Em qual definição o mito pés de barro se enquadra? Bem provável que seja na tradução “azarão”, “zebra”. A escolha, no entanto, fica a gosto dos adeptos dele, conhecidos como “vaquinhas de presépio”, “buchas de canhão”, e dos antagonistas.

– Athaliba, o que já se descobriu sobre as falcatruas que envolvem Dark Horse, filme sobre o mito de araque? Ele cumpre prisão, condenado pelo STF – Supremo Tribunal Federal – a 27 anos e três meses, além de 124 dias de multa equivalente a dois salários mínimos. Ainda na ação da trama golpista -, que pretendia matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF, Alexandre de Moraes – os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e o almirante Almir Garnier foram condenados, entre outros envolvidos.

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– Marineth, a trama golpista se deu no período de 2021 até o final de 2022, referindo-se ao conjunto de ações com o fastígio dos atos antidemocráticos e das minutas de golpe reunido nos meses de novembro e dezembro de 2022, findando nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Sete dias após a cerimônia da posse de Lula, quando o Congresso Nacional, em Brasília, foi invadido e depredado por simpatizantes do mito pés de barro.

– Sem mais delongas, Athaliba, conta o que já se descobriu sobre as falcatruas do filme.

– Marineth, de repente, não mais que de repente, explodiu como bomba nas redes sociais a reprodução de diálogo íntimo do senador Flávio Bolsonaro (Partido Liberal – RJ), “filho 01” do mito pés de barro, com o mineiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master. O senador cobrava do banqueiro, atualmente preso por fraudes financeiras, outra parte de R$ 134 milhões de patrocínio para o filme, sendo que já havia sido repassado por Vorcaro R$ 61 milhões. Muita grana.

– Athaliba, de onde partiu a explosão da negociata entre o senador e o banqueiro?

– Marineth, a notícia partiu do Intercept Brasil, publicação independente na forma de jornal on-line. O Flávio confirmou a negociação com Vorcaro e, oportunistamente, tentou recriminar a Lei Rouanet, nº 8.313/1991, mecanismo de fomento à cultura no Brasil. A lei não repassa dinheiro do governo para artistas, permitindo que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda devido para patrocinar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

– Sim, Athaliba! E daí?

– Daí, Marineth, as investigações da Polícia Federal apontam que o “filho 03” do mito pés de barro, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (Partido Liberal – SP), é o homem da grana. Pois ele tem poder sobre a gestão do dinheiro do Dark Horse, como produtor-executivo do filme. E parte da grana estaria financiando a sobrevivência dele nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro de 2025.

– Athaliba, a Procuradoria-Geral da República – PGR – pediu a condenação do Eduardo por coação no curso do processo, sob a acusação de articular sanções contra autoridades brasileiras em tentativa de influenciar o julgamento do pai, o mito pés de barro, relacionado à trama golpista.

– É isso mesmo, Marineth. Existe contrato de 2023, com Eduardo e Mário Frias e a GoUp Entertainment, que dá à produtora e os produtores-executivos poder para as atividades do filme. Inclui recursos de financiamento. Bem, o que se deduz do escândalo do Darke Horse, até agora, é que o filme está fadado ao fracasso de bilheteria. Não será exibido nem os cinemas pulguentos.

Tags: BolsonaroCrônicas do AthalibaDark HorseEduardo BolsonaroFlávio BolsonaroLenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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