Brasil

Brasil busca escapar de tarifaço dos EUA anunciado por Trump

Governo aposta em relação comercial favorável para evitar retaliação

fernando haddad
José Cruz / ABR - 

Brasília – O governo brasileiro aguarda com expectativa o anúncio das novas medidas comerciais dos Estados Unidos, programado para esta quarta-feira (2), e espera ser poupado das tarifas prometidas pelo presidente Donald Trump. O ministro da Economia, Fernando Haddad, afirmou que seria "estranho" se o Brasil fosse alvo de retaliação, uma vez que os Estados Unidos mantêm um superávit na relação comercial com o país.

Causaria até certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada, uma vez que nós estamos na mesa de negociação desde sempre com aquele país justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte”, declarou Haddad, durante viagem a Paris nesta terça-feira (1º).

O receio de uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros ocorre após um relatório de um órgão vinculado ao governo dos EUA criticar as tarifas aplicadas pelo Brasil em setores como etanol, filmes, bebidas alcoólicas, máquinas e equipamentos, e carne suína. O documento pode servir como base para futuras medidas protecionistas.

Diante desse cenário, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou por unanimidade, nesta terça-feira, o projeto de lei da reciprocidade comercial, permitindo ao Brasil retaliar medidas unilaterais que prejudiquem suas exportações. O texto segue agora para a Câmara dos Deputados.

Diálogo e reciprocidade

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, elogiou a iniciativa do Senado, mas reforçou que o caminho prioritário deve ser o diálogo.

“Você ter um arcabouço jurídico legal é positivo, louvo a iniciativa do Congresso Nacional, nesse caso do Senado, que procura preservar o interesse do Brasil, mas quero dizer que o caminho é o diálogo e procurar ter uma complementariedade econômica”, afirmou Alckmin.

O vice-presidente ressaltou ainda que os EUA possuem um superávit de US$ 25 bilhões na relação comercial com o Brasil, o que, em sua avaliação, torna injustificável qualquer nova tarifa contra produtos brasileiros. Segundo ele, entre os dez produtos mais exportados pelos EUA para o Brasil, oito possuem tarifa zero e a taxa média final de todos os produtos e serviços é de apenas 2,7%.

A decisão de Trump em relação ao Brasil poderá impactar diretamente setores estratégicos da economia nacional, como agronegócio e indústria de base. O governo segue monitorando os desdobramentos e reforça sua estratégia de negociação para minimizar eventuais danos comerciais.

Comentários