Brasil

Morre aos 85 anos a escritora e acadêmica Heloisa Teixeira

Membro da ABL e referência no feminismo, autora faleceu no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro - A escritora e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), Heloisa Teixeira, faleceu nesta sexta-feira (28), aos 85 anos, no Rio de Janeiro, devido a complicações de pneumonia e insuficiência respiratória aguda. Internada na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, Heloisa teve sua morte confirmada pela ABL, que realizará seu velório neste sábado (29), na sede da instituição.

Nascida em Ribeirão Preto (SP), Heloisa mudou-se para o Rio de Janeiro ainda na infância. Formada em Letras Clássicas pela PUC-Rio, com mestrado e doutorado em Literatura Brasileira pela UFRJ e pós-doutorado em Sociologia da Cultura pela Universidade de Columbia, nos EUA, a escritora se destacou na área acadêmica.

Foi diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ, onde coordenou iniciativas como o Laboratório de Tecnologias Sociais e o Fórum M, espaço de debate sobre questões femininas na universidade.

escritora Heloisa Teixeira
ABL / Divulgação - 

Compromisso com a renovação da ABL

Eleita em 2023 para a cadeira 30 da ABL, sucedendo a escritora Nélida Piñon, Heloisa Teixeira tornou-se um símbolo da renovação da academia. Em seu discurso de posse, destacou a disparidade de gênero na instituição:

“Ainda somos pouquíssimas nessa casa: apenas dez mulheres foram eleitas acadêmicas contra um total de 339 homens.”

Seu alinhamento com a abertura da ABL foi um marco:

“Esse atual projeto de abertura me fascina. E isso não é nem o começo. Tem que ter mulher, negro, índio. Porque são excelentes também. Isso é o Brasil, a democracia.”

Mudança de identidade aos 83 anos

Pouco antes de sua posse, a escritora decidiu deixar de usar o sobrenome do ex-marido e passou a assinar Heloisa Teixeira, adotando o sobrenome materno. A importância desse gesto foi reafirmada por meio de uma tatuagem com seu nome completo.

Heloisa Teixeira deixa uma marca incontestável na literatura brasileira, no feminismo e na integração da cultura com a academia. Sua morte representa uma grande perda para o cenário intelectual do país.

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