O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Divinópolis nesta sexta-feira (19) para inaugurar o Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), unidade que passa a reforçar a rede pública de saúde no Centro-Oeste de Minas Gerais. Durante a visita, o governo federal também anunciou investimentos em educação, mobilidade urbana e transporte rodoviário para a região.
A nova unidade hospitalar é resultado de uma longa trajetória marcada por atrasos, mudanças de gestão e disputas políticas. As obras do antigo Hospital Regional de Divinópolis começaram há mais de uma década, enfrentaram períodos de paralisação e só avançaram após a transferência da estrutura para a Universidade Federal de São João del-Rei, que firmou parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), atualmente rebatizada como Rede HU Brasil.
O hospital começa a funcionar de forma escalonada. Nesta primeira etapa, serão disponibilizados 31 leitos clínicos para pacientes encaminhados pela rede pública, além de atendimentos ambulatoriais. A previsão é que a estrutura alcance sua capacidade total ao longo dos próximos meses, chegando a 198 leitos, dos quais 55 serão destinados a unidades de terapia intensiva.
Segundo estimativas apresentadas durante a inauguração, a unidade poderá realizar cerca de 8,7 mil internações e mais de 74 mil consultas ambulatoriais por ano, beneficiando uma população estimada em 1,3 milhão de habitantes distribuída por 54 municípios da macrorregião Oeste de Minas.
Hospital encerra espera de mais de uma década
A inauguração marca o desfecho de uma das obras públicas mais aguardadas da região. Ao longo dos anos, o hospital se tornou símbolo das dificuldades enfrentadas por grandes projetos de saúde em Minas Gerais.
Nos últimos anos, a solução encontrada passou pela doação da estrutura pelo Governo de Minas à UFSJ, permitindo a assinatura do contrato de gestão com a Ebserh e viabilizando a abertura da unidade como hospital universitário.
Além do atendimento médico, o hospital terá papel estratégico na formação de profissionais da saúde. A unidade servirá de campo de prática para estudantes de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica, além da previsão de abertura de programas de residência médica e multiprofissional a partir de 2027.
Educação também esteve no centro da agenda
Durante a passagem por Divinópolis, Lula aproveitou para anunciar medidas ligadas à área educacional.
Entre elas está a criação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que passará a funcionar como avaliação obrigatória dos cursos de Medicina e também poderá ser utilizado como critério de acesso às residências médicas.
O governo federal também autorizou o início das obras de ampliação do campus do CEFET em Divinópolis, incluindo a construção de uma nova biblioteca e salas de aula, com recursos do Novo PAC.
Ao discursar, o presidente voltou a defender investimentos em educação pública e destacou programas como o Desenrola Fies, voltado à renegociação de dívidas estudantis.
Obras viárias e transporte de pacientes
A agenda presidencial também incluiu anúncios na área de infraestrutura.
O Ministério dos Transportes confirmou o lançamento do processo licitatório para as obras da travessia urbana da BR-494 em Divinópolis, considerada um dos principais gargalos logísticos da região. O investimento previsto é de R$ 19,5 milhões.
Também foi autorizada a continuidade das obras de duplicação da BR-262 entre Nova Serrana e Bom Despacho, trecho considerado estratégico para o escoamento da produção industrial e agrícola do Centro-Oeste mineiro.
Na área da saúde, foram entregues ambulâncias, vans e micro-ônibus destinados ao transporte de pacientes que necessitam de atendimento especializado em municípios mineiros.
Visita teve repercussão política
A presença de Lula em Divinópolis ocorreu em meio à disputa política em torno dos méritos pela conclusão do hospital. Lideranças locais e estaduais têm reivindicado participação no processo que levou à abertura da unidade, envolvendo desde a conclusão das obras pelo governo estadual até a federalização da gestão e a entrada de recursos da União.
Mesmo cercada por debates políticos, a inauguração representa a entrada em operação de uma estrutura aguardada há anos pela população do Centro-Oeste mineiro, que historicamente dependia de deslocamentos para outras cidades em busca de atendimento de média e alta complexidade.






