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Home Colunas

KIRK DOUGLAS x KACTUS KID

Por Ediel Ribeiro
14 de fevereiro de 2020 - 00:24
em Colunas

Kirk Douglas (Reprodução)

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Rio de Janeiro – Kirk Douglas morreu na última quinta-feira, dia 6, em Los Angeles, aos 103 anos.

Douglas nasceu Issur Danielovitch, na localidade de Amsterdam, em Nova Iorque, filho de imigrantes judeus, originários da atual Bielorrússia.

Serviu na Marinha dos Estados Unidos, na Segunda Guerra Mundial, em 1941. Depois da guerra, entrou para um grupo de teatro na St. Lawrence University, junto com uma atriz iniciante conhecida por Lauren Bacall.

Douglas recebeu ajuda de Bacall para obter seu primeiro papel, no filme “The Stranger Love of Martha Ivers (1946).

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Depois de “The Stranger…”, vieram “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), de Billy Wilder; “Assim Estava Escrito” (1952), de Vincente Minnelli; “Ulisses” (1954), de Mario Camerini; “Sede de Viver” (1956), também de Minnelli; “Sem Lei, Sem Alma” (1957), de John Stugers; “Glória Feita de Sangue” (1958), de  Stanley Kubrick; “Duelo de Titãs” (1959), também de Sturges; “O Nono Mandamento” (1959), de Richard Quine; e “Spartacus” (1960), também de Stanley Kubrick, entre outros. 

Os filmes de Douglas são geniais. Todos eles. Tanto os em que ele atuou, quanto os que ele produziu. “Glória Feita de Sangue” e “Spartacus”, foram, talvez os mais populares.

Também gosto muito deles, mas o meu favorito é o noir jazzistico “Êxito Fugaz” (1950), de Michael Curtiz, com Lauren Bacall.

Douglas teve muitas homenagens em sua gloriosa carreira. Em vida e depois de morto. Foi indicado três vezes ao Oscar, por seus trabalhos em “Champion” (1949), “The Bad and the Beautiful” (1952) e “Lust for Life” (1956). Nesse último interpretou o pintor Van Gogh. Embora não tenha conquistado nenhuma estatueta, viria a receber um Oscar especial, em 1996, pelo conjunto da obra.

No Brasil, bem antes de morrer, Kirk Douglas recebeu uma homenagem do cartunista gaúcho Renato Canini (1936-2013). O desenhista que tornou o Zé Carioca – de Walt Disney – ainda mais carioca, criou nos anos 70 o impagável pistoleiro “Kactus Kid”, uma paródia aos quadrinhos de faroeste americano, inspirado no ator Kirk Douglas. 

O personagem era Zeca Funesto, um simplório dono da única funerária da cidade de “Deskansas City”, onde não morria ninguém.

Depois que colocava uma peruca e fazia um furinho no queixo, Zeca se transformava no galante, temido e algo atrapalhado “Kactus Kid”.

Endividado e cheio de contas para pagar, a solução de Zeca Funesto era se transformar em “Kactus Kid” para matar uns bandidos e conseguir clientes para sua funerária. 

É provável que Kirk Douglas nunca tenha lido uma “Crás” – revista de quadrinhos onde o personagem foi publicado entre 1974 e 1975 – , ou provavelmente tomado conhecimento da homenagem de Canini, mas, o fato é que, cinco anos depois, Douglas, cujo traço marcante era o famoso furinho no queixo, estrelou uma comédia chamada “Cactus Jack, o Vilão” (1979).

Coincidência ou não, é ao menos estranho que Douglas, que até então só havia feito faroestes sérios, como os seminais “Sem Lei, Sem Alma” e “Duelo de Titãs” tenha feito uma comédia “bang-bang” com um personagem chamado “Cactus”, como o anti-herói de Canini.

Reza a lenda que Douglas conheceu o caubói de Canini através de um editor brasileiro, e se baseou no personagem do gaúcho para criar o seu “Cactus”, com “C”.

Ainda que a história não passe de lendas de Hollywood, a homenagem de Canini e a carreira de Kirk Douglas foram brilhantes e reais.

Tags: KACTUS KIDKIRK DOUGLAS
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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