A Justiça italiana marcou para 29 de outubro uma nova audiência para analisar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil.
O processo está relacionado à condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal no episódio em que perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
A nova audiência será realizada poucos dias depois do segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 25 de outubro.
Em julho, a Corte de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, anulou uma decisão anterior que havia autorizado a extradição nesse processo e determinou que o pedido apresentado pelo Brasil fosse analisado novamente pela Corte de Apelação de Roma.
A decisão não anulou a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal nem absolveu Zambelli. A Justiça italiana deverá analisar se estão preenchidos os requisitos legais e previstos nos tratados internacionais para que ela seja entregue ao Brasil.
Itália pediu garantias sobre saúde e prisão
Ao determinar o novo julgamento, a Justiça italiana afastou a tese apresentada pela defesa de que Zambelli seria vítima de perseguição política.
Os magistrados, no entanto, entenderam que eram necessárias informações adicionais sobre o estado de saúde da ex-deputada e sobre as condições em que ela seria mantida caso fosse extraditada.
A defesa relata que Zambelli sofre de fibromialgia e apresenta histórico de desmaios. O Brasil encaminhou novas informações e garantias relacionadas ao atendimento médico e às condições do sistema prisional, permitindo a retomada da análise.
A audiência chegou a ser prevista inicialmente para o fim de setembro, mas não foi realizada por causa de uma greve de advogados penalistas na Itália.
Informações divulgadas após o adiamento chegaram a apontar 27 de outubro como nova data. A atualização mais recente da Justiça italiana indica agora que a audiência será realizada no dia 29.
Condenação por perseguição armada
O episódio que originou o pedido de extradição ocorreu em 29 de outubro de 2022.
Após uma discussão política, Zambelli sacou uma arma e perseguiu Luan Araújo pelas ruas de São Paulo. Imagens registradas na ocasião mostram a então deputada correndo com uma pistola em punho e entrando em um estabelecimento onde a vítima havia buscado abrigo.
Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli, por 9 votos a 2, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
A pena foi fixada em cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além de multa correspondente a 400 salários mínimos da época dos fatos.
O STF concluiu que o porte de arma concedido à então parlamentar para defesa pessoal não autorizava o uso ostensivo do armamento para perseguir uma pessoa desarmada em via pública.
Segundo pedido de extradição teve resultado diferente
O caso da arma é diferente do outro processo que envolve Zambelli na Itália.
No primeiro pedido de extradição, ela era procurada para cumprir pena de dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e pela inserção de documentos falsos, entre eles um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Nesse processo, a Corte de Cassação italiana rejeitou definitivamente a extradição em maio. Os magistrados apontaram dúvidas sobre a imparcialidade objetiva do julgamento brasileiro, especialmente pela participação de Moraes no processo.
Já no caso da perseguição armada, a Corte de Cassação não encerrou o pedido. Em julho, anulou a autorização anterior e determinou uma nova análise pela Corte de Apelação de Roma.
É esse processo que voltará a julgamento no dia 29.
Zambelli está em liberdade na Itália
Zambelli deixou o Brasil em 2025 e foi localizada posteriormente na Itália.
Ela chegou a permanecer presa por mais de nove meses na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, enquanto aguardava as decisões sobre os pedidos brasileiros de extradição. Foi colocada em liberdade em maio deste ano e permanece na Itália enquanto o segundo processo continua em andamento.
Mesmo que a Corte de Apelação volte a autorizar a extradição, a decisão ainda poderá ser contestada em novas instâncias da Justiça italiana.


