Secretário de Educação de BH é afastado por suspeita de envolvimento em esquema bilionário
Bruno Barral foi alvo da Operação Overclean, que investiga desvio de R$ 1,4 bilhão; Polícia Federal encontrou dinheiro e joias em sua casa

Belo Horizonte - O secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, foi afastado do cargo nesta quinta-feira (3) por determinação do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O afastamento ocorre no âmbito da terceira fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares e contratos fraudulentos.
A Polícia Federal (PF) cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Aracaju (SE). Na residência de Barral, foram encontrados maços de dinheiro em dólares, euros e reais, além de joias e um relógio de luxo.
Entre os itens apreendidos estavam:
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US$ 11.550 em espécie
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€ 7.090 em espécie
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R$ 7.000 em espécie
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Um relógio de luxo
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Uma corrente de ouro
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Um carro modelo Toyota Corolla
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Pen drives e telefones celulares

Envolvimento com irregularidades na Bahia
Bruno Barral, que assumiu a Secretaria de Educação de BH em abril de 2024, já respondia a um processo na Justiça da Bahia por improbidade administrativa. Sua empresa, Bruno Oitaven Barral Ltda., teve um contrato de R$ 300 mil suspenso por supostas irregularidades em um convênio sem licitação firmado com a Prefeitura de Santo Antônio de Jesus (BA) em 2021.
O Ministério Público da Bahia (MPBA) aponta que a contratação da empresa causou prejuízo aos cofres públicos. Em fevereiro de 2023, a Justiça suspendeu o contrato e proibiu novos pagamentos à empresa.
Barral se manifestou por meio de nota, afirmando que "a empresa e o município já apresentaram suas defesas nos autos do processo e aguardam a decisão final da Justiça".
Prefeito de BH descarta blindagem ao secretário
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), se pronunciou sobre o caso e garantiu que Barral não terá tratamento diferenciado na gestão municipal.
"Parece que é um processo envolvendo projetos na Bahia, em Salvador, não é na Secretaria de Educação de Belo Horizonte. Mas, obviamente, ninguém vai passar a mão na cabeça de secretário em Belo Horizonte, e eu não vou passar", afirmou Damião.
Esquema bilionário teria ligação com o "Rei do Lixo"
A Operação Overclean investiga um esquema de desvio de verbas públicas e fraudes em contratos que teriam movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão. Os crimes incluem corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e obstrução da Justiça.
O empresário Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", é apontado como um dos líderes do esquema. Moura, que integra a executiva nacional do União Brasil, já havia sido preso na primeira fase da operação, em dezembro de 2024, mas foi solto por decisão judicial.
A PF encontrou documentos que ligam Moura ao deputado federal Elmar Nascimento, líder do União Brasil na Câmara. A relação entre os dois levou o caso ao STF em janeiro deste ano.
A Overclean já resultou na prisão de políticos e empresários em fases anteriores da operação. Entre os detidos estão Vidigal Cafezeiro Neto (Republicanos), então vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA), e Lucas Dias, ex-secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista (BA).
O ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no STF, determinou sigilo ao processo em fevereiro.
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