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Home Notícias Brasil

Flávio não reconhece derrota e critica prorrogação que sua própria campanha havia pedido

Candidato anunciou que tentará anular eleição vencida por Lula, não agradeceu os quase 60 milhões de votos recebidos e atribuiu derrota à extensão do horário de votação; horas antes, jurídico do PL também havia solicitado mais tempo para eleitores votarem

Por Redação
26 de outubro de 2026 - 09:56
em Brasil
Flávio não reconhece derrota e critica prorrogação que sua própria campanha havia pedido

Foto: Joédson Alves/ABR

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Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) encerrou a noite deste domingo (25) sem reconhecer o resultado das urnas e anunciou que recorrerá à Justiça para tentar anular a eleição.

Em seu primeiro pronunciamento depois da confirmação da vitória de Lula, o senador não agradeceu os 59.826.041 votos que recebeu nem fez referência aos eleitores que o apoiaram. A fala foi concentrada na contestação do resultado e em acusações contra o Supremo Tribunal Federal e a Justiça Eleitoral.

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos. Flávio terminou com 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou Flávio diante de jornalistas em Brasília.

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O principal argumento apresentado pelo candidato foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo, de prolongar a votação até as 19h nas seções que permaneciam abertas.

Flávio acusou o ministro de mudar “a regra do jogo no meio do jogo” e afirmou que a medida teria quebrado a igualdade entre os eleitores.

O que o candidato não mencionou durante o pronunciamento é que sua própria campanha também havia recorrido à Justiça Eleitoral naquele domingo pedindo a prorrogação do horário de votação.

Campanha de Flávio também pediu mais tempo

Os pedidos das duas candidaturas foram apresentados durante a tarde de domingo.

A campanha de Lula pediu inicialmente mais tempo em locais onde havia relatos de redução ou dificuldades no transporte coletivo e posteriormente solicitou ao TSE a ampliação nacional da votação.

Por volta das 15h50, a equipe jurídica de Flávio também protocolou pedido de prorrogação, citando municípios afetados por chuvas fortes, alagamentos, interdições e falta de energia.

O pedido do PL também solicitava que eleitores dessas localidades tivessem mais tempo para chegar às urnas.

Lula posteriormente levou a questão ao STF, pedindo a ampliação nacional. A reclamação foi distribuída, por sortei, a Cristiano Zanin.

Ao esclarecer posteriormente sua decisão, o ministro registrou que as duas campanhas haviam apresentado pedidos de prorrogação, embora por fundamentos e abrangências diferentes.

Mesmo assim, horas depois da derrota, Flávio apresentou a extensão da votação como uma medida tomada apenas em benefício do adversário.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável”, afirmou.

Decisão saiu quando milhares de urnas já estavam fechadas

Outro ponto destacado por Flávio foi a diferença entre locais onde a votação continuou e aqueles em que as urnas já haviam sido encerradas.

A decisão de Zanin foi divulgada pouco depois das 17h, horário oficial de encerramento da votação.

Naquele momento, milhares de urnas em todo o país já tinham sido fechadas e não poderiam ser ligadas novamente.

O próprio TSE informou posteriormente que, como a ordem chegou depois do horário previsto para o encerramento, milhares de urnas eletrônicas já estavam encerradas, sem possibilidade de reabertura.

Diante dessa situação, Zanin esclareceu que a extensão até as 19h valeria somente para as seções que ainda permaneciam abertas.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, encaminhou a mesma orientação aos tribunais regionais.

“Orienta-se que as seções eleitorais que ainda estiverem abertas permaneçam em funcionamento até as 19h”, determinou.

Na prática, portanto, a prorrogação atendeu ao pedido das campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula, mas teve alcance limitado às seções que ainda não haviam concluído a votação às 17h. As urnas já fechadas permaneceram encerradas e seus votos foram normalmente computados.

A decisão também atrasou a divulgação do resultado, porque o TSE suspendeu temporariamente a totalização até o encerramento das últimas seções às 19h.

Flávio também fez acusação desmentida pelo TSE

Durante o pronunciamento, Flávio apresentou outra acusação para justificar a contestação.

Segundo ele, fiscais do PL teriam sido retirados da “sala-cofre” do TSE depois da decisão sobre a prorrogação.

A Justiça Eleitoral publicou uma nota ainda durante a madrugada desta segunda-feira (26) classificando a afirmação como falsa.

Segundo o TSE, a sala-cofre não é aberta à visitação de representantes partidários. Dois fiscais do PL acompanharam o Teste de Integridade das Urnas e a totalização e divulgação dos resultados na Sala de Totalização.

O tribunal informou possuir registros de presença e imagens que mostram os representantes do partido acompanhando os procedimentos.

Quase 60 milhões de votos sem agradecimento

Flávio deixou o local depois da declaração sem responder às perguntas dos jornalistas.

Durante sua fala, não agradeceu aos 59,8 milhões de brasileiros que votaram nele, não reconheceu a vitória de Lula e não desejou sucesso ao presidente reeleito.

O comportamento contrastou com o tamanho da votação obtida pelo candidato, que recebeu 48,21% dos votos válidos e protagonizou uma das disputas presidenciais mais apertadas dos últimos anos.

Flávio terminou o primeiro turno na primeira colocação, mas perdeu a liderança no segundo. Foi a primeira vez, desde a adoção das eleições presidenciais em dois turnos, que o candidato mais votado na primeira etapa sofreu uma virada na votação final.

Após confirmar o resultado, Kassio Nunes Marques anunciou oficialmente a reeleição de Lula e afirmou que as eleições transcorreram com segurança. O presidente do TSE classificou o pleito como um sucesso no atendimento ao eleitorado.

Tags: Cristiano Zanineleições 2026Flávio BolsonaroJustiça EleitoralLulaPLprorrogação da votaçãoPTresultado eleiçõessegundo turnoSTFTSE
Redação

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