A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a receber reconhecimento internacional poucas horas depois da confirmação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Presidentes e chefes de governo da América Latina, Europa, Ásia, África e América do Norte felicitaram Lula pelo quarto mandato e defenderam a continuidade ou ampliação das relações com o Brasil. Entre eles estão líderes de diferentes posições políticas, como Emmanuel Macron, Vladimir Putin, Narendra Modi, Mark Carney, José Antonio Kast, Keiko Fujimori, Daniel Noboa, Claudia Sheinbaum e Yamandú Orsi.
Até a manhã desta segunda-feira (26), porém, Javier Milei, presidente da Argentina, não havia parabenizado Lula nem reconhecido publicamente sua vitória.
O mesmo ocorreu com Donald Trump em relação a uma mensagem oficial de congratulação da Casa Branca ou do próprio presidente americano. Uma reportagem do Times Brasil/CNBC, citando a agência EFE, atribuiu a Trump uma declaração questionando o resultado e comparando a eleição brasileira à disputa americana de 2020.
Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou com 48,21%.
Líderes de direita também reconhecem resultado
Na América do Sul, o reconhecimento não ficou restrito aos governos de esquerda.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, informou ter telefonado para Lula para cumprimentá-lo pela vitória e afirmou que os dois países continuarão trabalhando pela integração econômica e pelo combate ao crime organizado.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, também felicitou Lula e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países, incluindo cooperação na Amazônia.
No Equador, Daniel Noboa parabenizou o brasileiro e afirmou que os países da região enfrentam desafios comuns e têm a ganhar com o trabalho conjunto.
Paraguai e Bolívia também reconheceram o resultado. Santiago Peña destacou a agenda de integração entre Brasil e Paraguai, enquanto Rodrigo Paz falou em aprofundar as relações entre os dois países.
Macron, União Europeia, Índia e Canadá
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron foi um dos primeiros líderes de peso a felicitar Lula.
Macron afirmou que França e Brasil têm “muito a construir juntos” e defendeu o fortalecimento da parceria estratégica e da amizade entre os dois países.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também parabenizou Lula e afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. Ela citou comércio, clima e defesa de uma ordem internacional baseada em regras como áreas de cooperação com o país.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou a vitória como uma conquista do campo progressista e associou o resultado brasileiro ao cenário político espanhol.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, manifestou intenção de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países e ampliar a cooperação nas pautas do Sul Global.
No Canadá, Mark Carney afirmou que a relação com o Brasil se fortaleceu e mencionou comércio, meio ambiente e desenvolvimento econômico como áreas para ampliar a cooperação.
China e Rússia saúdam resultado
A China reconheceu oficialmente a reeleição nesta segunda-feira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que Pequim tomou conhecimento do anúncio feito pelo TSE e felicitou Lula pela vitória.
Questionado sobre a decisão de Flávio Bolsonaro de contestar o resultado, o porta-voz respondeu que “a China respeita a escolha do povo brasileiro”.
A Rússia também felicitou Lula.
Vladimir Putin destacou a parceria estratégica entre os dois países e manifestou interesse em aprofundar a cooperação bilateral e a atuação conjunta em fóruns como Brics, G20 e Organização das Nações Unidas.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que a vitória terá repercussão além das fronteiras brasileiras e citou a importância do país para o Sul Global.
Milei não felicita Lula e compartilha críticas à eleição
Na Argentina, Javier Milei seguiu caminho diferente de outros presidentes sul-americanos.
Até a manhã desta segunda-feira, não havia publicado mensagem parabenizando Lula.
Durante a apuração, Milei compartilhou publicações que colocavam em dúvida o processo eleitoral brasileiro. Um dos conteúdos comparava Lula ao ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro; outro afirmava que o petista tentava “roubar as eleições”.
A relação entre Milei e Lula atravessa um período de tensão diplomática. Na véspera do segundo turno, o argentino havia chamado o presidente brasileiro de “ladrão e mentiroso” após declarações de Lula sobre a situação econômica da Argentina.
Enquanto Milei permanecia sem reconhecer publicamente a vitória, outros presidentes sul-americanos de direita, como Kast, Fujimori e Noboa, já haviam cumprimentado Lula.
Trump também não envia congratulação
Nos Estados Unidos, não havia até esta manhã uma mensagem oficial de felicitação da Casa Branca ou de Donald Trump a Lula.
O UOL registrava às 9h31 desta segunda-feira que Trump e Milei ainda não haviam felicitado o presidente brasileiro.
Paralelamente, reportagem do Times Brasil/CNBC, baseada em informação atribuída à agência EFE, publicou que Trump questionou a vitória e teria afirmado que foi aplicado no Brasil o que chamou de “manual de Joe Biden”.
“Bolsonaro tinha uma grande vantagem no primeiro turno e era o claro favorito para vencer o segundo. Mas os comunistas não largam o poder depois que o conseguem”, afirmou Trump, segundo a reportagem.
Trump manteve relação próxima com Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial brasileira e recebeu o senador na Casa Branca neste ano.
A ausência de uma mensagem de reconhecimento por parte dos governos de Argentina e Estados Unidos ocorre enquanto a maior parte dos principais parceiros internacionais do Brasil já reconheceu oficialmente a vitória anunciada pelo TSE.


