Entidades representativas do jornalismo brasileiro denunciaram ameaças e ataques contra profissionais de imprensa que fazem a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. As manifestações partiram da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), que pediram proteção às equipes que trabalham no local.
Os ataques começaram após a circulação de um vídeo gravado em frente ao Hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado. Nas imagens, uma influenciadora digital filma repórteres que aguardavam boletins médicos e afirma, sem apresentar provas, que os profissionais estariam desejando a morte do ex-presidente.
O conteúdo viralizou nas redes sociais e acabou sendo compartilhado por parlamentares e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ampliando o alcance das acusações.
Após a divulgação do vídeo, jornalistas identificados nas imagens passaram a receber ameaças, ofensas e mensagens de intimidação nas redes sociais. De acordo com a Abraji, alguns profissionais também relataram episódios de hostilidade fora do ambiente digital, incluindo agressões verbais quando foram reconhecidos na rua.
A entidade afirmou ainda que montagens e conteúdos manipulados começaram a circular na internet, inclusive vídeos falsos produzidos com uso de inteligência artificial que simulam violência contra jornalistas.
Em nota pública, a Abraji classificou a divulgação do vídeo como um ato irresponsável por expor profissionais que estavam apenas realizando cobertura jornalística.
“O registro foi deturpado e expôs jornalistas que estavam simplesmente exercendo seu trabalho a ameaças e difamações”, afirmou a associação.
A Fenaj e o sindicato dos jornalistas do Distrito Federal também divulgaram notas de repúdio e cobraram providências das autoridades. Segundo as entidades, o Estado tem a obrigação de garantir segurança para que profissionais possam exercer o trabalho em locais de interesse público.
As organizações pediram reforço da presença policial na frente do hospital e solicitaram investigação para identificar os responsáveis pelas ameaças.
Além disso, as entidades recomendaram que as empresas de comunicação ofereçam suporte jurídico e avaliem o afastamento temporário de repórteres caso se sintam inseguros no local.
Contexto da cobertura
Bolsonaro foi internado na UTI do Hospital DF Star após apresentar sintomas graves e receber diagnóstico de broncopneumonia bacteriana. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi transferido da prisão para o hospital após apresentar febre alta, baixa oxigenação e outros sintomas respiratórios.
Desde então, equipes de diversos veículos permanecem na porta do hospital para acompanhar boletins médicos e possíveis decisões judiciais relacionadas ao tratamento do ex-presidente.






