A tentativa de Daniel Vorcaro de fechar um acordo de delação premiada sofreu mais um revés nesta sexta-feira (22). O advogado José Luís de Oliveira Lima deixou oficialmente a defesa do banqueiro, apenas dois dias após a Polícia Federal rejeitar a proposta apresentada pela defesa.
Lima era o principal responsável pelas negociações conduzidas junto à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda avalia se seguirá ou não com a análise do acordo.
Nos bastidores da investigação, a saída do advogado foi interpretada como mais um sinal de desgaste na estratégia adotada por Vorcaro desde que voltou à prisão, em março deste ano.
PF considerou delação “fraca”
Investigadores vinham demonstrando insatisfação com o conteúdo apresentado pelo banqueiro.
A avaliação dentro da PF era de que a proposta acrescentava pouco ao material já reunido ao longo da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça envolvendo o Banco Master.
Fontes ligadas à investigação afirmam que havia a percepção de que Vorcaro evitava comprometer personagens considerados mais importantes dentro da estrutura investigada.
A própria defesa do banqueiro já havia entregue anexos, documentos e arquivos digitais às autoridades, mas o material não convenceu os investigadores.
Prisão e pressão por colaboração
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, durante nova fase da operação conduzida pela PF.
Desde então, a aposta da defesa era tentar um acordo de colaboração premiada que pudesse reduzir penas e abrir espaço para eventual flexibilização da prisão.
A investigação ganhou peso após perícias em celulares apreendidos indicarem possíveis conexões do esquema com corrupção, uso de estruturas clandestinas de monitoramento e tentativa de acesso ilegal a informações sigilosas.
Os investigadores também suspeitam da atuação de uma espécie de “milícia privada” ligada ao grupo investigado.
Caso chegou ao STF
A negociação da delação ocorre sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Pela legislação, o ministro não participa diretamente das tratativas entre defesa, PF e PGR, mas caberá a ele homologar eventual acordo caso a colaboração avance.
Se a delação for aceita futuramente, Vorcaro poderá obter benefícios judiciais, desde que apresente provas consistentes, revele detalhes do esquema investigado e devolva recursos obtidos ilegalmente.
Crise política ampliou repercussão
O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a atingir também o ambiente político.
Nos últimos dias, vieram à tona revelações envolvendo pedidos de recursos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
As revelações ampliaram a pressão sobre personagens ligados ao bolsonarismo e aumentaram a expectativa em torno do que uma eventual delação de Vorcaro poderia revelar.
Enquanto isso, a troca na defesa reforça a percepção de que o banqueiro enfrenta dificuldades para construir uma colaboração considerada útil pelas autoridades.






