A Hungria viveu neste domingo (12) uma das maiores reviravoltas políticas de sua história recente. Após 16 anos no poder, o primeiro-ministro Viktor Orbán reconheceu a derrota para o opositor Péter Magyar, líder do partido Tisza.
“O resultado da eleição é claro e doloroso”, afirmou Orbán em discurso aos apoiadores após a confirmação do resultado .
Do outro lado, Magyar relatou ter recebido uma ligação do próprio adversário: “Viktor Orbán acabou de me ligar e nos parabenizou pela nossa vitória” .
Maioria ampla muda equilíbrio de poder
Com a apuração concluída, o Tisza conquistou 134 das 199 cadeiras do Parlamento, garantindo mais de dois terços dos assentos. Já o Fidesz, de Orbán, ficou com 52 cadeiras, enquanto outros partidos dividiram o restante.
O resultado assegura ao novo governo poder para promover mudanças estruturais, inclusive constitucionais, sem necessidade de alianças.
No discurso de vitória, Magyar adotou tom simbólico ao anunciar o fim de um ciclo político: “Juntos, libertamos a Hungria e nos livramos do regime de Orbán” .
Ele também indicou que pretende limitar a concentração de poder no país, prometendo alterar a Constituição para limitar o mandato do primeiro-ministro a dois mandatos — uma resposta direta ao longo período de Orbán no comando.
Disputa com peso internacional
A eleição húngara ultrapassou as fronteiras do país. Durante a campanha, Orbán contou com apoio direto de aliados internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio público ao premiê. Além disso, o vice-presidente americano J. D. Vance esteve em Budapeste para participar de um comício ao lado de Orbán .
Entre Rússia, China e União Europeia
Ao longo de seu governo, Orbán construiu uma política externa marcada pela aproximação com Rússia e China, o que gerou atritos frequentes com a União Europeia.
Considerado uma voz dissonante dentro do bloco, ele também se destacou por não apoiar a Ucrânia no conflito com Moscou .
Magyar, por sua vez, já sinalizou mudança de direção, com promessa de reaproximação com a Europa e revisão de acordos estratégicos.
Europa reage com entusiasmo
A vitória da oposição teve repercussão imediata entre líderes europeus.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou: “O coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite. A Hungria escolheu a Europa” .
Outros líderes, como o chanceler alemão Friedrich Merz e o premiê espanhol Pedro Sánchez, também celebraram o resultado, destacando o fortalecimento dos valores europeus .
A conexão com Bolsonaro
No Brasil, o resultado também repercute pela relação entre Orbán e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que sempre manifestou admiração pelo líder húngaro.
Durante visita oficial em 2022, Bolsonaro chegou a chamá-lo de “irmão”, destacando afinidade política entre os dois .
A proximidade ganhou destaque em 2024, quando Bolsonaro passou duas noites na embaixada da Hungria em Brasília, em meio a investigações — episódio que levantou suspeitas de tentativa de buscar proteção diplomática, negadas pela defesa .
Um novo cenário
A derrota de Orbán encerra uma era e abre uma nova fase para a Hungria. Com maioria qualificada no Parlamento, Péter Magyar terá condições políticas para promover mudanças profundas e reposicionar o país no cenário europeu.






