Lisboa — O socialista António José Seguro foi eleito neste domingo (8) novo presidente da República de Portugal, após vencer o segundo turno das eleições presidenciais com 66,7% dos votos válidos, contra 33,3% do candidato da extrema-direita André Ventura. Os dados oficiais foram divulgados após a apuração de 99% das urnas.
Com mais de 11 milhões de eleitores aptos a votar, o novo presidente obteve um resultado robusto, consolidando uma vitória ampla sobre Ventura, que conseguiu um desempenho superior ao registrado por seu partido nas eleições gerais do ano anterior.
A abstenção ficou em torno de 50%, um índice elevado que se repetiu em relação ao primeiro turno e refletiu o contexto de clima instável e desafios logísticos em algumas regiões do país.
Recorde histórico e contexto eleitoral
A vitória de António José Seguro entra para a história como um dos maiores percentuais já alcançados por um candidato presidencial português em eleições diretas. Com cerca de 66,7% dos votos, Seguro supera muitos dos resultados de presidentes anteriores e se firma como uma figura de destaque após décadas de alternância política em Portugal.
Desde o início do período democrático em 1976, apenas alguns presidentes haviam ultrapassado a marca de 3 milhões de votos, e poucas disputas haviam terminado com percentuais tão amplos. A vitória de Seguro também vem após a necessidade de um segundo turno, um fenômeno que não ocorria desde 1986.
Repercussão política
Em seu discurso de vitória, Seguro defendeu a unidade nacional e a estabilidade institucional, prometendo exercer um mandato que reforce os valores democráticos e o diálogo entre diferentes correntes políticas. Líderes europeus e figuras políticas nacionais congratularam-no pela vitória, destacando o resultado como um sinal de confiança dos eleitores no futuro do país.
Apesar da derrota, André Ventura reconheceu o resultado nas declarações após o anúncio oficial, ressaltando o crescimento de seu partido como um novo ator no panorama político português e afirmando que continuará atuando em defesa de suas propostas políticas.
Legado e próximos passos
Seguro substituirá o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, cujo mandato termina em março de 2026. A posse está marcada para o dia 9 de março.
Apesar de a presidência portuguesa ter função majoritariamente cerimonial, o chefe de Estado exerce papeis importantes, como a nomeação do primeiro-ministro, o veto a leis e a capacidade de dissolver o Parlamento em circunstâncias específicas. A eleição de 2026 será lembrada não apenas pelos números finais, mas também pela configuração política que emergiu — marcada pela polarização e pela presença significativa da extrema-direita no debate público.






