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Home Notícias Internacional

Americanos vão às urnas e decidem controle do Congresso em teste decisivo para Trump

Republicanos tentam manter o domínio da Câmara e do Senado enquanto aprovação do presidente cai para perto da mínima histórica; resultado pode definir os dois últimos anos do segundo governo Trump

Por Redação
3 de novembro de 2026 - 09:17
em Internacional
Governo Trump destina US$ 1 milhão a projeto contra atuação do STF, revela Guardian

Divulgação / White House

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Os norte-americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para uma eleição que pode mudar os rumos dos dois últimos anos do governo de Donald Trump. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 vagas no Senado, numa votação que decidirá se os republicanos continuarão controlando todo o Congresso ou se os democratas passarão a comandar uma ou as duas Casas.

Trump não aparece nas cédulas, mas está no centro da disputa.

As eleições legislativas realizadas na metade do mandato presidencial, conhecidas como midterms, tradicionalmente funcionam como um julgamento do governo. Desta vez, o presidente chega à votação com índices de aprovação próximos dos menores registrados em sua trajetória política.

Pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (2) mostrou Trump com 32% de aprovação, apenas um ponto acima de sua mínima de 31% na série do instituto. O levantamento mostrou ainda 46% dos eleitores inclinados a votar nos democratas para o Congresso, contra 38% nos republicanos.

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Uma pesquisa do Pew Research Center realizada entre 28 de setembro e 4 de outubro encontrou cenário semelhante: 30% aprovavam o governo e 68% desaprovavam. Foi o menor índice de Trump em seu segundo mandato e praticamente o mesmo nível registrado pouco antes de ele deixar a Presidência, em janeiro de 2021.

O que está em jogo

Os republicanos chegam à eleição controlando as duas Casas do Congresso.

Na Câmara, a maioria é apertada. São 435 cadeiras e são necessários 218 deputados para controlar a Casa. Na composição imediatamente anterior à eleição, havia 218 republicanos, 214 democratas, um independente e duas vagas abertas.

Os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro cadeiras para conquistar a maioria.

No Senado, o cenário é diferente.

A Casa tem 100 integrantes, mas apenas parte deles é escolhida a cada eleição. Os mandatos dos senadores duram seis anos e são renovados de forma escalonada.

Nesta terça-feira, estão sendo realizadas 33 eleições regulares e duas eleições especiais, totalizando 35 disputas.

Os republicanos chegam à eleição com 53 senadores. Os democratas têm 45, além de dois independentes que atuam com a bancada democrata.

Para assumir o controle, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras. Os republicanos podem perder até duas e ainda manter a maioria.

Eleição pode mudar capacidade de Trump governar

O resultado terá consequências diretas para a Casa Branca.

Caso os republicanos mantenham Câmara e Senado, Trump continuará contando com um Congresso politicamente alinhado para tentar aprovar projetos, mudanças tributárias, orçamento e outras propostas de seu governo.

Se os democratas conquistarem a Câmara, poderão assumir o controle das comissões, definir parte importante da agenda legislativa e ampliar investigações sobre o governo.

O partido também passaria a controlar o poder de convocar autoridades e conduzir audiências e investigações parlamentares.

Uma Câmara controlada pela oposição também poderia bloquear ou dificultar a aprovação de projetos considerados prioritários pelo presidente.

O impacto seria ainda maior se os democratas conquistassem também o Senado.

Além de participar da aprovação das leis, o Senado tem uma função fundamental no sistema político norte-americano: confirma ministros, embaixadores, integrantes do alto escalão federal e juízes indicados pelo presidente, incluindo membros da Suprema Corte.

Uma mudança de maioria, portanto, reduziria significativamente a margem política de Trump durante a segunda metade de seu mandato.

Economia pesa na escolha do eleitor

A economia aparece entre as principais preocupações dos norte-americanos.

Na pesquisa Reuters/Ipsos, 78% disseram considerar o custo de vida uma questão muito importante ou uma das mais importantes na decisão do voto.

Nesse tema, 43% disseram confiar mais nos democratas e 32% nos republicanos.

O levantamento do Pew também mostrou a economia como principal tema eleitoral. Entre os eleitores registrados, 84% consideraram a questão muito importante para a escolha de seus candidatos ao Congresso.

Preços de alimentos, moradia, combustíveis, energia e assistência médica estiveram entre os assuntos que dominaram a campanha.

Imigração, aborto, inteligência artificial, política externa e a atuação do próprio Trump também aparecem entre os temas que podem influenciar disputas mais equilibradas.

Trump virou parte da escolha para o Congresso

O peso do presidente na eleição aparece de maneira clara nas pesquisas.

Segundo o Pew, 63% dos eleitores disseram considerar Trump um fator na escolha de seus candidatos ao Congresso.

Entre eles, 44% disseram enxergar seu voto como uma forma de se posicionar contra o presidente, enquanto 19% afirmaram que o voto seria uma manifestação de apoio a Trump.

A Reuters/Ipsos encontrou movimento semelhante entre os independentes. Metade afirmou que seu voto para o Congresso representava uma manifestação contra Trump, enquanto 13% disseram votar como forma de apoiá-lo.

Assim, embora o nome do presidente não esteja nas urnas, o resultado desta terça-feira será também uma avaliação eleitoral dos primeiros dois anos de seu retorno à Casa Branca.

Democratas chegam mais mobilizados

Outro sinal observado às vésperas da eleição está na disposição dos eleitores para votar.

Na Reuters/Ipsos, 49% dos eleitores democratas disseram estar muito entusiasmados com a eleição, contra 33% dos republicanos.

O Pew também identificou maior mobilização entre eleitores democratas. Entre aqueles que apoiavam candidatos do partido à Câmara, 78% disseram considerar muito importante saber qual legenda controlará o Congresso depois da eleição, nove pontos percentuais acima dos apoiadores republicanos.

Mais de 50 milhões de norte-americanos já haviam votado antecipadamente antes da abertura das urnas nesta terça-feira.

Histórico não favorece partido do presidente

As eleições de meio de mandato costumam representar dificuldades para o partido que ocupa a Casa Branca.

Ao longo da história norte-americana, presidentes frequentemente viram seus partidos perderem cadeiras no Congresso na primeira eleição legislativa realizada após a posse.

A Reuters aponta que o partido do presidente perdeu terreno em praticamente todas as eleições de meio de mandato das últimas décadas.

É esse histórico que Trump e os republicanos tentam contrariar nesta terça-feira.

A disputa pela Câmara aparece como particularmente apertada, enquanto o Senado depende de um número menor de estados onde as eleições permanecem competitivas.

Entre as principais disputas pelo Senado estão cadeiras em estados como Alaska, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio e Texas. Os democratas também precisam defender posições importantes, entre elas Michigan.

Resultado pode demorar

Embora a votação termine nesta terça-feira, o controle definitivo do Congresso pode não ser conhecido imediatamente.

A Associated Press acompanha as 435 disputas pela Câmara e as 35 eleições para o Senado, mas alguns estados possuem regras e sistemas de votação que podem prolongar a contagem.

A Califórnia recebe grande quantidade de votos pelo correio, enquanto Alaska e Maine utilizam sistema de votação preferencial que, dependendo do resultado, exige novas rodadas de apuração.

Em 2022, por exemplo, foram necessários quatro dias para definir o controle do Senado e oito dias para confirmar a maioria na Câmara. Em 2024, o Senado foi definido no dia seguinte à eleição, mas a Câmara novamente demorou oito dias.

O que os norte-americanos começam a decidir nesta terça-feira, portanto, vai além da composição do Legislativo.

A votação definirá se Donald Trump seguirá pelos próximos dois anos com maioria republicana no Congresso ou se passará a enfrentar uma oposição com poder institucional para bloquear projetos, controlar comissões, conduzir investigações e interferir diretamente na agenda de seu governo.

Tags: Câmara dos RepresentantesCongresso dos EUADemocratasDonald Trumpeleições 2026eleições EUAEstados Unidospolítica internacionalRepublicanosSenado
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