A disputa presidencial mais apertada da história recente do Peru caminha para um desfecho favorável à conservadora Keiko Fujimori. Com quase a totalidade das urnas apuradas, a candidata de direita ampliou sua vantagem sobre o esquerdista Roberto Sánchez e passou a ser considerada favorita para assumir a Presidência do país andino.
Dados divulgados nesta quinta-feira (18) pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) indicam que Fujimori alcançou 50,11% dos votos válidos, contra 49,89% de Sánchez. A diferença supera 39 mil votos, enquanto restam menos de 1% das urnas para contabilização.
Embora o resultado oficial ainda não tenha sido proclamado, analistas políticos peruanos avaliam que a tendência é de consolidação da vitória da candidata conservadora, especialmente porque a maior parte dos votos pendentes está concentrada em regiões e segmentos do eleitorado onde ela apresenta desempenho historicamente superior.
Votos do exterior reforçam vantagem
A reta final da apuração tem sido influenciada principalmente pelos votos de peruanos residentes no exterior e por atas eleitorais provenientes da região metropolitana de Lima.
Historicamente, esses dois segmentos demonstram maior apoio ao fujimorismo, fenômeno que voltou a se repetir nesta eleição.
Segundo números da autoridade eleitoral peruana, Keiko Fujimori mantém ampla vantagem entre os eleitores que vivem fora do país, fator considerado decisivo para o crescimento da diferença nas últimas atualizações da contagem.
Especialistas consultados pela imprensa peruana avaliam que a probabilidade de uma virada tornou-se remota diante da distribuição geográfica dos votos ainda pendentes.
Sánchez questiona processo eleitoral
Apesar da tendência favorável à adversária, Roberto Sánchez se recusa a reconhecer o resultado.
O candidato de esquerda apresentou recursos judiciais questionando parte das atas eleitorais e alega a existência de irregularidades no processo de apuração.
Aliados do candidato também convocaram manifestações para os próximos dias em Lima, defendendo uma revisão dos votos contestados.
As acusações, no entanto, não foram corroboradas pelos principais observadores internacionais que acompanharam o pleito.
Observadores internacionais descartam irregularidades
Missões de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia divulgaram avaliações preliminares apontando que a votação ocorreu dentro da normalidade democrática.
As duas instituições pediram cautela aos candidatos e defenderam o respeito ao calendário eleitoral e aos procedimentos previstos pela legislação peruana.
Os observadores destacaram ainda a importância de aguardar a conclusão oficial da contagem antes de qualquer contestação definitiva sobre o resultado.
Quarta tentativa pode levar Fujimori ao poder
Caso a vitória seja confirmada, esta será a primeira vez que Keiko Fujimori consegue vencer uma eleição presidencial após três derrotas em segundos turnos.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000, ela já havia disputado a Presidência em 2011, 2016 e 2021.
Na eleição de 2021, acabou derrotada por uma margem ainda menor do que a observada atualmente, quando perdeu para Pedro Castillo por pouco mais de 44 mil votos.
A eventual confirmação da vitória também representará um marco histórico: Keiko se tornará a primeira mulher eleita diretamente para a Presidência do Peru por meio do voto popular.
País aguarda resultado oficial
Enquanto os recursos apresentados pela campanha de Sánchez são analisados, a autoridade eleitoral segue revisando atas contestadas e contabilizando os últimos votos pendentes.
A expectativa é que o processo seja concluído nos próximos dias, embora especialistas alertem que eventuais recursos judiciais possam prolongar a oficialização do resultado.
Independentemente da confirmação da vitória, a eleição já expõe um país profundamente dividido entre projetos políticos distintos, cenário que deverá marcar o próximo governo peruano.






