A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional e a possível participação de agentes públicos.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Entre os alvos da operação estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master.
Além das buscas, a Justiça autorizou medidas cautelares contra investigados, incluindo restrições de contato entre envolvidos e suspensão de passaportes.
Investigação avança sobre suspeitas de corrupção
Em nota oficial, a Polícia Federal informou que a nova etapa da operação busca aprofundar a apuração sobre possíveis vantagens indevidas relacionadas ao sistema financeiro.
Segundo os investigadores, os fatos apurados podem configurar, em tese, crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A corporação não divulgou detalhes sobre os elementos que motivaram a realização desta nova fase nem esclareceu qual seria o papel específico atribuído a cada investigado dentro das suspeitas analisadas.
O caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal devido à presença de autoridade com foro por prerrogativa de função entre os investigados.
Operação tem origem em investigação sobre o Banco Master
A Operação Compliance Zero ganhou dimensão nacional após revelar suspeitas de fraudes financeiras, movimentações patrimoniais consideradas incompatíveis e possíveis tentativas de ocultação de recursos ligados ao Banco Master.
Nas fases anteriores, a Polícia Federal realizou prisões, bloqueios de bens e apreensões de documentos e equipamentos eletrônicos utilizados para rastrear operações financeiras suspeitas.
Em maio deste ano, uma das etapas da investigação resultou na prisão de familiares ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como figura central do esquema investigado.
Defesa diz que medidas são desnecessárias
Em nota divulgada após a operação, a defesa de Augusto Ferreira Lima afirmou que as diligências realizadas nesta quinta-feira seriam desnecessárias.
Os advogados sustentam que o empresário tem colaborado com as autoridades e prestado esclarecimentos desde o início das investigações.
“Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração. De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”, afirmou a defesa.
Até a publicação desta reportagem, a assessoria do senador Jaques Wagner não havia divulgado posicionamento público sobre a operação.
Próximos passos
O material recolhido durante o cumprimento dos mandados será submetido à análise pericial e poderá subsidiar novas diligências.
A Polícia Federal pretende utilizar documentos, registros financeiros, aparelhos eletrônicos e demais elementos apreendidos para aprofundar a investigação e definir a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.
A Operação Compliance Zero é considerada uma das principais investigações em andamento sobre suspeitas de irregularidades no sistema financeiro brasileiro.






