Uma investigação iniciada após a interceptação de um veleiro carregado com cocaína em águas próximas ao continente africano levou a Polícia Federal a deflagrar, nesta quinta-feira (11), uma operação contra um suposto esquema internacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Batizada de Operação Balcãs, a ação teve como foco endereços ligados a investigados nas cidades de Santos, Guarujá e São Paulo. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal.
Segundo a Polícia Federal, o caso começou a ser apurado após autoridades localizarem cerca de 2,7 toneladas de cocaína escondidas em um veleiro interceptado nas proximidades de Cabo Verde, arquipélago situado na costa oeste da África. A partir dessa apreensão, os investigadores passaram a rastrear os responsáveis pela logística da carga e o caminho percorrido pela droga.
Ao longo de quase três anos de apuração, a PF identificou indícios da existência de uma estrutura criminosa especializada no envio de entorpecentes para o mercado europeu utilizando rotas marítimas pelo Oceano Atlântico. A suspeita é que a organização atuasse de forma integrada, envolvendo desde a preparação das cargas até mecanismos destinados a ocultar a origem dos recursos obtidos com a atividade ilegal.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras e outros ativos vinculados aos investigados. Também foram autorizados o sequestro de imóveis, veículos e bens patrimoniais, em um montante que pode alcançar R$ 20 milhões.
Rota marítima tem sido alvo frequente das autoridades
Nos últimos anos, o uso de embarcações de pequeno e médio porte para o transporte de cocaína rumo à Europa passou a preocupar autoridades brasileiras e internacionais. Aproveitando a extensa costa brasileira e a dificuldade de fiscalização em alto-mar, organizações criminosas têm buscado novas estratégias para abastecer mercados consumidores europeus.
Relatórios recentes de organismos internacionais apontam que a cocaína produzida na América do Sul continua encontrando na Europa um dos principais destinos, o que tem levado forças de segurança de diferentes países a ampliar operações conjuntas de monitoramento marítimo.
No caso investigado pela Operação Balcãs, a Polícia Federal acredita que a apreensão realizada próximo a Cabo Verde representou apenas uma das etapas de uma cadeia criminosa mais ampla, que agora passa a ser analisada em profundidade.
Material apreendido será periciado
A corporação informou que documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais recolhidos durante as buscas serão submetidos a perícia. A expectativa é que a análise ajude a identificar outros participantes do esquema, além de esclarecer a movimentação financeira do grupo.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre eventuais prisões nem informou quantas pessoas são alvo direto da investigação.
A operação permanece em andamento e novas diligências não estão descartadas.






