Uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta quarta-feira (10) indica uma mudança no cenário da disputa presidencial projetada para 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que registra 38%.
O resultado representa uma inflexão em uma sequência de levantamentos que vinham apontando equilíbrio entre os dois nomes. Desde março, as pesquisas mostravam um cenário de empate técnico ou de vantagem mínima para um dos candidatos. Agora, pela primeira vez em meses, a distância entre os dois supera a margem de erro do estudo.
Os números revelam uma recuperação gradual de Lula desde abril. Naquele mês, o presidente aparecia atrás numericamente do senador. Em maio, a diferença praticamente desapareceu. Já em junho, o petista voltou a abrir vantagem.
Independentes mudam de posição
De acordo com a análise do instituto, o principal movimento ocorreu entre os eleitores que não se identificam com nenhum dos polos políticos que dominam o debate nacional.
Esse grupo, formado por cidadãos que não se declaram lulistas nem bolsonaristas e tampouco se posicionam claramente à direita ou à esquerda, passou a demonstrar maior preferência por Lula.
Entre esses eleitores, o presidente ganhou oito pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, enquanto Flávio Bolsonaro perdeu sete pontos. O segmento é considerado estratégico porque representa aproximadamente um terço do eleitorado nacional e costuma ter papel decisivo em disputas apertadas.
Temas recentes podem ter influenciado cenário
A pesquisa foi realizada após uma série de acontecimentos que ocuparam o debate político nacional nas últimas semanas.
Entre eles estão as revelações envolvendo conversas entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, além das medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
Segundo o levantamento, a maioria dos entrevistados avaliou negativamente a solicitação de apoio financeiro feita pelo senador para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os dados mostram ainda que parte significativa do eleitorado acredita que o parlamentar tinha conhecimento de irregularidades atribuídas ao empresário e vê possibilidade de alguma ligação entre o caso e a família Bolsonaro.
Governo registra melhora de percepção
Outro fator apontado pela Quaest é a melhora da avaliação de medidas adotadas pelo governo federal nos últimos meses.
A pesquisa identificou repercussão positiva de iniciativas econômicas anunciadas pela gestão Lula, entre elas a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e programas voltados à renegociação de dívidas de famílias brasileiras.
Esse movimento coincide com a recuperação do presidente em segmentos que haviam demonstrado maior resistência ao governo nos levantamentos anteriores.
Direita mantém Flávio como principal nome
Apesar da queda registrada neste levantamento, Flávio Bolsonaro continua sendo o nome mais competitivo do campo conservador nos cenários testados pela Quaest.
Segundo o instituto, outros potenciais candidatos da direita não apresentaram desempenho suficiente para reduzir a diferença em relação a Lula.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por exemplo, aparece em posição menos favorável nos cenários avaliados e permanece distante dos números registrados pelo senador fluminense.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e realizado entre os dias 5 e 8 de junho.
Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.






