O Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o país. A medida foi adotada após a identificação de 42 casos de reações adversas graves e duas mortes que estão sendo investigadas para verificar se possuem relação com o imunizante.
A orientação foi reforçada nesta terça-feira (9) pelo diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti. Segundo ele, estados e municípios devem manter as doses armazenadas em suas redes de frio e interromper qualquer nova aplicação até que haja uma definição das autoridades sanitárias.
“Os estados que tiverem vacina de dengue em estoque devem mantê-la armazenada, assim como os municípios que ainda possuem doses disponíveis”, afirmou o diretor em entrevista à Rádio Nacional.
A suspensão tem caráter preventivo e não representa, segundo o Ministério da Saúde, uma conclusão sobre a segurança ou a eficácia da vacina. O governo federal informou que a investigação busca esclarecer os eventos registrados antes de qualquer decisão definitiva sobre a continuidade da campanha.
Casos estão sob investigação
Os episódios foram identificados pelo sistema de monitoramento de rotina do Programa Nacional de Imunizações. Entre os sintomas relatados estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e episódios de perda de consciência.
Além desses registros, foram observados três casos com características semelhantes às formas graves da dengue, que exigiram internação hospitalar. Duas dessas pessoas morreram, o que motivou a abertura de uma investigação mais aprofundada.
Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam recebido a vacina do Butantan. A aplicação ocorreu entre profissionais da saúde e pessoas com mais de 15 anos em áreas selecionadas para a estratégia inicial de imunização, incluindo os municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e a região de Araguaína (TO).
Vigilância identificou eventos considerados raros
De acordo com o Ministério da Saúde, os casos observados não haviam sido registrados durante as fases de testes clínicos da vacina.
Especialistas explicam que eventos adversos extremamente raros costumam ser identificados apenas após o início da vacinação em larga escala, quando milhões de pessoas passam a receber o imunizante.
O governo destacou que a detecção dos casos demonstra o funcionamento dos mecanismos de vigilância e monitoramento da segurança das vacinas aplicadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A expectativa das autoridades sanitárias é que novos relatos possam surgir após a divulgação dos casos, já que profissionais de saúde e pacientes passam a estar mais atentos aos sintomas e à necessidade de notificação.
Quem deve procurar atendimento
A orientação do Ministério da Saúde é para que as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas compatíveis com dengue ou reações adversas importantes.
Entre os sinais de alerta estão febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e episódios de vômito. Caso qualquer um desses sintomas apareça, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Segundo o Ministério da Saúde, o período de maior atenção corresponde às três semanas seguintes à vacinação, quando a versão atenuada do vírus utilizada no imunizante ainda pode estar presente no organismo.
Já as pessoas vacinadas há mais de 21 dias não são consideradas grupo de risco para esse tipo de ocorrência e permanecem protegidas contra a doença.
Comitê avaliará próximos passos
Um grupo de especialistas será convocado para analisar os dados coletados pela vigilância epidemiológica e definir os próximos encaminhamentos.
A partir dessa avaliação, o Ministério da Saúde decidirá se a vacinação poderá ser retomada, se serão necessárias novas restrições ou se outras medidas deverão ser adotadas.
Até o momento, não há prazo definido para a conclusão das investigações.
Vacina Qdenga continua sendo aplicada
A suspensão não afeta a vacinação com a Qdenga, produzida pela Takeda.
O imunizante segue disponível normalmente no Sistema Único de Saúde para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, público-alvo definido pelo Ministério da Saúde.
Segundo o PNI, não foram identificados sinais de segurança que justifiquem qualquer alteração na aplicação da Qdenga, que continua sendo utilizada regularmente na rede pública.






