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Home Notícias Brasil

CPI do Crime Organizado rejeita relatório e encerra trabalhos sem conclusão

Parecer que pedia indiciamento de ministros do STF é derrubado por maioria no Senado

Por Redação
15 de abril de 2026 - 08:07
em Brasil
Relator de CPI pede indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral

Senador Alessandro Vieira (MDB-SE) | Crédito: Lula Marques/ABR

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou nesta terça-feira (14) o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que incluía pedidos de indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal.

O parecer foi derrubado por seis votos contra e quatro a favor, o que levou ao encerramento da CPI sem a aprovação de um relatório final — resultado incomum para esse tipo de comissão .

Votaram a favor do parecer os senadores Alessandro Vieira, Eduardo Girão, Espiridião Amin e Magno Malta. Já a maioria contrária foi formada por Beto Faro, Teresa Leitão, Otto Alencar, Humberto Costa, Soraya Thronicke e Rogério Carvalho .

O relatório previa o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet, no contexto das investigações sobre o caso Banco Master.

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A proposta gerou forte reação dentro da própria comissão e acabou sendo um dos principais fatores para a rejeição do texto.

Contarato critica fim da CPI sem resultado

Presidente da CPI, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) lamentou o desfecho dos trabalhos e criticou a não prorrogação da comissão pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

“Infelizmente, essa CPI não apresentou um resultado daquilo que nós almejamos”, afirmou .

Contarato também apontou dificuldades durante as investigações, incluindo decisões do STF que, segundo ele, limitaram a coleta de depoimentos e provas.

Apesar das críticas, o senador se posicionou contra o indiciamento de ministros, destacando a gravidade desse tipo de medida.

“O ato de indiciamento é um ato de grande responsabilidade, porque você está lidando com a reputação e a vida das pessoas”, disse .

Governo e relator trocam acusações

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também criticou o relatório e afirmou que a CPI não deveria ser usada para disputas políticas.

Segundo ele, o texto deixou de focar no objetivo central da comissão, que era investigar o crime organizado.

Após a derrota, Alessandro Vieira atribuiu o resultado à atuação do governo e à mudança na composição da comissão pouco antes da votação.

“A decisão dos colegas pela não aprovação, após uma intervenção direta do Palácio do Planalto, reflete apenas um atraso na pauta”, declarou .

Relatório traz diagnóstico do crime organizado

Mesmo rejeitado, o documento apresentou um amplo levantamento sobre o funcionamento das organizações criminosas no Brasil.

Segundo o relatório, 90 grupos foram mapeados, incluindo facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), com presença em 24 estados e no Distrito Federal .

O texto aponta que cerca de 26% do território nacional estaria sob influência do crime organizado, afetando diretamente cerca de 28,5 milhões de brasileiros .

Também destaca que a lavagem de dinheiro é o principal mecanismo de sustentação dessas organizações, com atuação em setores como imóveis, ouro, bebidas, fintechs e criptomoedas.

CPI termina sem relatório aprovado

Instalada para investigar o avanço do crime organizado no país, a CPI encerra suas atividades após 120 dias sem a aprovação de um relatório final — o que limita o encaminhamento formal de propostas ou responsabilizações.

Ainda assim, o material produzido ao longo das investigações pode servir de base para futuras iniciativas legislativas ou ações de órgãos de controle.

Tags: CPIcrime organizadopolíticaSenadoSTF
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