A disputa pelo comando do governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo na noite de sexta-feira (27). O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a eleição indireta que escolheria o governador-tampão do estado até o fim de 2026.
A decisão foi tomada em caráter liminar e atende a um pedido do Partido Social Democrático (PSD), que defende a realização de eleição direta, com participação da população.
A medida de Zanin ocorre no mesmo dia em que o próprio STF havia validado a realização de eleição indireta, em julgamento relacionado à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7942.
Mesmo assim, o ministro decidiu suspender o processo e destacou que tem entendimento divergente da maioria da Corte, defendendo o voto direto como regra.
Na decisão, Zanin afirmou que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro pode ter sido utilizada como forma de contornar a decisão da Justiça Eleitoral.
“A renúncia do governador eleito surge como mecanismo de burla à autoridade da Justiça Eleitoral”, escreveu o ministro.
Soberania popular e segurança jurídica
Ao justificar a suspensão, Zanin também destacou o princípio da soberania popular, previsto na Constituição, e a necessidade de segurança jurídica diante das divergências sobre o caso.
O ministro solicitou que a análise definitiva seja feita pelo plenário do STF, em julgamento presencial, após pedido de destaque.
Até lá, fica suspenso qualquer ato relacionado à eleição indireta.
Com a decisão, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, permanece como governador interino do estado.
A indefinição ocorre em meio a uma sequência de decisões judiciais que têm alterado o cenário político fluminense nos últimos dias.
Entenda a crise no RJ
O impasse começou após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo para disputar o Senado.
Sem vice-governador desde 2025, o estado passou a enfrentar uma disputa sobre quem deveria assumir o comando do Executivo.
A situação se agravou com a cassação do então presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, e a necessidade de recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral.
Na quinta-feira (26), o deputado Douglas Ruas chegou a ser eleito presidente da Alerj e, consequentemente, governador-tampão. A eleição, porém, foi anulada no mesmo dia por decisão do Tribunal de Justiça, que considerou irregular o processo sem a retotalização dos votos.
Com a suspensão da eleição indireta, o caso volta ao STF, que deverá decidir, em definitivo, qual modelo será adotado: eleição direta ou indireta.
Enquanto isso, o Rio de Janeiro segue sob comando interino, sem definição sobre quem governará o estado até o fim do mandato atual.






