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Home Saúde

Zika: o que já se sabe e o que ainda falta saber sobre a doença

Por Redação
19 de fevereiro de 2016 - 08:25
em Saúde
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Além da dengue, febre amarela e chikungunya, o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, também transmite o vírus Zika (Foto: Divulgação)

A escalada do vírus Zika nos noticiários e nas agendas dos governantes reflete a preocupação com a crescente epidemia. Mais de 30 países e territórios já registram casos autóctones da doença – a maioria deles no continente americano, incluindo o Brasil – e outros 17, como Alemanha, Espanha e Estados Unidos, notificaram casos de pessoas que contraíram a doença no exterior.

A gravidade da epidemia colocou pesquisadores de todo o mundo em alerta e, embora muita coisa já tenha sido descoberta, muitos pontos sobre o Zika continuam obscuros, como a relação do vírus com os casos de microcefalia que ainda não foi comprovada.

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Reunimos em um infográfico os principais tópicos sobre o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o vírus Zika. Confira abaixo.

O que já se sabe
Da família Flaviviridae e do gênero Flavivirus, o vírus Zika provoca uma doença com sintomas muito semelhantes aos da dengue, febre amarela e chikungunya. De baixa letalidade, causa febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos) sem secreção e sem coceira, artralgia (dores nas articulações) e exantema maculo-papular (manchas ou erupções na pele com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas.

O vírus é transmitido, na maioria das vezes, pela picada dos mosquitos da família Aedes (aegypti, africanus, apicoargenteus, furcifer, luteocephalus e vitattus), encontrados nas regiões tropicais da América, África, Ásia e Oceania. A partir da picada infectada, a doença tem um período de incubação de aproximadamente quatro dias até os sintomas começarem a se manifestar.  Os sinais e sintomas podem durar até sete dias. Há evidências de que a doença pode ser transmitida por meio do contato com o sêmen infectado durante relações sexuais. Grávidas infectadas também podem passar o vírus para o feto durante a gestação.

Como ainda não existe vacina ou um medicamento específico contra o vírus, o tratamento feito serve apenas para aliviar os sintomas. Assim, o uso de paracetamol, sob orientação médica, é indicado nesses casos.

As medidas de prevenção e controle da doença são as mesmas já adotadas para a dengue, febre amarela e chikungunya, como eliminar os possíveis criadouros do mosquito, evitando deixar água acumulada em recipientes como pneus, garrafas, vasos de plantas, fazer uso de repelentes, entre outros.

O que ainda não se sabe
Ainda não há dados consolidados e precisos do número de casos da doença nos países que registraram a ocorrência do vírus. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, entre 3 e 4 milhões de pessoas devem contrair o zika vírus em 2016 no continente americano. Cerca de 1,5 milhão destes casos deve ocorrer no Brasil. O cálculo considera o número de infectados por dengue, doença transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti, em 2015, e a falta de imunidade da população ao vírus.

A dificuldade na obtenção de números confiáveis de casos de infecção pelo vírus Zika se deve ao fato de o vírus ser detectável somente por alguns dias no sangue das pessoas infectadas. Além disso, os médicos, assim como os exames laboratoriais, não conseguem diferenciar com facilidade os casos de zika de doenças como dengue e chikungunya, que têm sintomas muito semelhantes.

Apenas uma em cada quatro pessoas infectadas são sintomáticas, o que significa que somente uma pequena parcela de pessoas que desenvolvem os sintomas da infecção causada pelo vírus procura os serviços de saúde, prejudicando a contagem dos casos da doença.

No Brasil, as autoridades de saúde investigam a relação do vírus Zika com o aumento da ocorrência de microcefalia, uma malformação que implica na redução da circunferência craniana do bebê ao nascer ou nos primeiros anos de vida, entre outras complicações. O Ministério da Saúde confirma 508 casos de bebês que nasceram com microcefalia por infecção congênita, que podem ter sido causadas por algum agente infeccioso, inclusive o Zika, com 49 mortes. A pasta ainda investiga mais 3.935 casos suspeitos de microcefalia no país. Outros 837 já foram descartados. A OMS quer saber por que os casos de microcefalia estão concentrados no país.

Apesar de o vírus Zika ter sido encontrado ativo na saliva e na urina, ainda não há comprovação de que o contato com esse tipo de fluidos de pessoas infectadas possam transmitir a doença. Os pesquisadores da área de saúde também não sabem dizer ainda se há um período seguro durante a gestação em que as grávidas possam viajar para áreas afetas pela epidemia ou estar em contato com pessoas infectadas sem causar complicações para o bebê. Em geral, a maior vulnerabilidade ocorre durante os quatro primeiros meses de gravidez.

Outros dois pontos que não estão esclarecidos ainda é se, após contrair a doença, a pessoa fica imune ao Zika e se as pessoas que são infectadas, mas não apresentam sintomas, podem transmitir a doença.

Os órgãos de saúde de vários países da América do Sul e Central, incluindo o Brasil, também estudam o crescimento de casos da síndrome de Guillain-Barré (SGB) durante o surto de Zika. A doença neurológica, de origem autoimune, provoca fraqueza muscular generalizada e, em casos mais graves, pode até paralisar a musculatura respiratória, impedindo o paciente de respirar, levando-o à morte.

De acordo com a OMS, o vírus Zika pode causar outras síndromes neurológicas, como meningite, meningoencefalite e mielite. Embora na região das Américas essas síndromes não tenham sido relatadas até o momento, serviços e profissionais de saúde devem estar alertas para as possíveis ocorrências.

Redação

Redação

Central de jornalismo

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