O candidato a deputado federal Wilker Leão (Novo-DF) foi preso em flagrante neste domingo (27) após pintar de branco, sem autorização, murais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB).
A segurança da universidade tentou interromper a ação e acionou a Polícia Militar do Distrito Federal. Leão e o cinegrafista de sua campanha, Anderson Nigro, foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal e presos por dano ao patrimônio público da União.
A UnB divulgou nota de repúdio e afirmou que, além da depredação, houve violência contra estudantes durante o episódio.
“A Universidade de Brasília repudia com veemência os atos de violência e depredação do patrimônio público praticados pelo candidato Wilker Leão e seus apoiadores neste domingo, 27 de setembro, no Instituto de Artes”, afirmou a instituição.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), um estudante foi agredido com socos e pontapés. Imagens que circulam nas redes sociais registram agressões durante a confusão.
Wilker diz que pretendia “revitalizar” espaço
Em depoimento à Polícia Federal, Wilker afirmou que comprou tintas e rolos e contratou cerca de 15 pessoas, por R$ 150 cada, para participar da ação.
O candidato negou ter danificado o patrimônio e declarou que pretendia “revitalizar” o prédio e apagar o que classificou como “pixações ideológicas de esquerda”.
Documento da PF aponta, por outro lado, que os murais haviam sido realizados por estudantes com autorização da universidade e que a pintura foi feita unilateralmente, sem permissão da UnB. Segundo o registro, a ação também tinha como objetivo produzir material para a campanha eleitoral de Wilker.
Ainda de acordo com a PF, a pintura continuou mesmo depois da intervenção dos seguranças da universidade e só foi interrompida após a chegada da Polícia Militar.
UnB fala em “métodos adotados pela extrema-direita”
Na nota divulgada após o episódio, a própria universidade relacionou o ocorrido à extrema-direita.
“Os acontecimentos deste domingo revelam que os métodos adotados pela extrema-direita, além de ilegais, são covardes, porque só se viabilizam na impossibilidade do debate qualificado”, afirmou a UnB.
A instituição informou ainda que adotará medidas administrativas e jurídicas para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos e que prestará apoio aos estudantes atingidos.
Candidato já havia sido expulso da UnB
Wilker cursava História na Universidade de Brasília, mas foi expulso da instituição em setembro de 2025 após processo disciplinar.
Ele ficou conhecido por gravar aulas sem autorização e publicar vídeos nas redes sociais nos quais fazia críticas e provocações a professores e estudantes, sob a alegação de combater o que classificava como “doutrinação de esquerda”. A UnB informou, na ocasião, que ele havia sido excluído da instituição e impedido de realizar novas matrículas.
Em abril deste ano, a 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios também manteve, por unanimidade, condenação de Wilker por difamação e injúria contra um professor da UnB.
O histórico de conflitos no campus inclui ainda um episódio ocorrido em abril de 2025, quando mensagens divulgadas em um grupo que articulava um ato na universidade mencionavam “trocar porrada com os vermes” e agressões contra “comunistas”.
Naquele grupo, Wilker chamou estudantes de “covardes”, anunciou a participação de mais de 100 pessoas e defendeu uma “resposta contundente”. As mensagens com ameaças de agressão, porém, não foram atribuídas diretamente a ele.
MPF pede liberdade provisória
Nesta segunda-feira (28), o Ministério Público Federal pediu à Justiça a liberdade provisória de Wilker e Anderson Nigro, acompanhada de medidas cautelares.
O MPF propôs fiança de R$ 20 mil para Wilker e R$ 10 mil para Nigro, além da obrigação de apresentação de endereço atualizado e dados de contato.
O caso tramita na 10ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.
Por ser candidato, Wilker está no período em que a legislação eleitoral impede a prisão de candidatos desde 15 dias antes da eleição até 48 horas depois do pleito, exceto em caso de flagrante, hipótese aplicada no episódio da UnB.
Até a última atualização, a defesa de Wilker não havia apresentado manifestação pública sobre a prisão. Em depoimento à PF, ele negou ter depredado o patrimônio.


