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Home Colunas

UM EDIFÍCIO CHAMADO 200

Por Ediel Ribeiro
segunda-feira – 21/02/2022 – 07:45
em Colunas

Arquivo / Divulgação -  

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Quem é ‘das antigas’, como eu, deve lembrar do “Duzentão”, na Barata Ribeiro, em Copacabana.

O icônico ‘Edifício Richard’ –  Rua Barata Ribeiro 200, esquina com a Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana – foi um dos símbolos de Copacabana na ‘belle époque’, que, infelizmente, acabou se transformando num endereço que se tornaria recorrente na crônica policial da cidade.

O prédio, inaugurado em 1954 com um anúncio de página inteira no jornal ‘O Globo’ que alardeava: “conjunto arquitetônico moderno, apartamentos bem arejados, indevassáveis, construção de primeira e acabamento esmerado, próximo à praia”, pouco tempo depois, virou reduto de prostitutas, viciados, traficantes, malandros, proxenetas e decaídos de toda espécie.

Quem adquiriu um dos mais de 500 apartamentos no “conjunto arquitetônico moderno”, acabou nas páginas policiais. A coisa ficou tão feia que a polícia mantinha uma viatura policial, na calçada, em frente ao prédio, 24 horas por dia.

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As brigas, as tragédias e os escândalos protagonizados por alguns de seus seus milhares de moradores inspiraram, no início da década de 70, a peça “Barata Ribeiro 200”, de Paulo Pontes. Os moradores,  na época, não gostaram da citação e decidiram recorrer à Justiça e o nome da peça foi mudado para “Um Edifício Chamado 200”. 

O prédio também inspirou o filme ‘Um Edifício Chamado 200’. A chanchada, de 1973 – baseada na peça homônima escrita pelo  dramaturgo paraibano -, satiriza as ambições da baixa classe média carioca. Protagonizado por Milton Moraes e dirigido por Carlos Imperial, o filme foi um marco da crítica social no tempo da ditadura. 

O longa conta a história de Alfredo Gamela (interpretado por Milton Moraes), um carioca que embora não tenha dinheiro, gosta de aparentar que é rico e um dia, recebe a visita de um extraterrestre que lhe mostra os números da loteria para ele ganhar 19 bilhões de cruzeiros. Mas nem tudo acabou bem.

Vicente de Paula Holanda Pontes, ou simplesmente Paulo Pontes, foi um dramaturgo, produtor de rádio e teatro, locutor, jornalista e tradutor, nascido na cidade de Campina Grande, na Paraíba, em 1940 e falecido precocemente no Rio de Janeiro, em 1976, aos 36 anos. 

Pontes chegou ao Rio em 1964, no auge da Ditadura Militar. Os militares tinham tomado o poder e a sede da UNE foi metralhada e incendiada. O jornalista integra o ‘Opinião’,  grupo criado para que a intelectualidade de esquerda pudesse  manter acesos seus ideais de resistência.

Vítima da censura, o ‘Opinião’ passa por dificuldades e, em 1967, Paulo Pontes, se despede do grupo. De volta à terra natal, Pontes passa a trabalhar na rádio. O trabalho com o ‘Opinião’ o estimula a escrever, no mesmo ano, sua primeira peça: ‘Para-í-bê-a-bá’.

A convite de Almeida Castro, diretor artístico da TV Tupi, Pontes retorna ao Rio de Janeiro, em 1968. Em colaboração com Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, Pontes realiza o programa Bibi – Série Especial, apresentado pela atriz Bibi Ferreira, com quem se casa.

No início da década de 1970, Pontes passa a escrever regularmente para o teatro. Além de  ‘Um Edifício Chamado 200’ (1971), o jornalista escreveu ‘Check-Up’ (1972) e ‘Gota d’Água’ (1975), sua última peça, em parceria com o compositor Chico Buarque.

O edifício ainda existe, mas mudou muito. Mudou também de número. Passou a ser Barata Ribeiro, 194.

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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