O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu suspender temporariamente o processamento de novas filiações partidárias no sistema Filia. A medida foi tomada nesta quinta-feira (13), após a descoberta da filiação indevida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao partido Missão.
A decisão foi determinada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, como medida de segurança para impedir que novos registros irregulares sejam efetivados enquanto o episódio é investigado.
O sistema continuará recebendo solicitações encaminhadas pelos partidos, mas elas ficarão sem processamento até que a suspensão seja retirada. Segundo o TSE, a medida não interfere nas candidaturas das eleições deste ano, uma vez que o prazo legal de filiação para quem pretende disputar o pleito terminou em abril.
Lula também foi alvo
A apuração do TSE revelou que Flávio Bolsonaro não foi o único político alvo de uma tentativa de alteração indevida.
O tribunal identificou também uma tentativa de filiação falsa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas, nesse caso, a operação não chegou a ser concluída.
O episódio amplia a dimensão do problema e levou a Justiça Eleitoral a adotar medidas para verificar se outras tentativas semelhantes foram realizadas no sistema.
No caso de Flávio, a fraude teve consequências imediatas. O senador apareceu no Filia como integrante do Missão e teve automaticamente comprometido seu vínculo com o PL, situação que chegou a impedir sua equipe de registrar a candidatura à Presidência.
Nunes Marques determinou posteriormente o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL, regularizando a situação partidária do candidato.
TSE descarta ataque hacker
O TSE informou que não houve invasão ou ataque hacker aos sistemas da Justiça Eleitoral. Segundo o tribunal, ocorreu uso indevido de credenciais vinculadas ao Missão para inserir a filiação.
O partido, por sua vez, afirma que também foi vítima da fraude. Em nota, o Missão declarou que seu sistema identificou irregularidades e tentou cancelar a filiação, mas a solicitação não foi processada pela Justiça Eleitoral.
O caso foi encaminhado para investigação, que deverá tentar identificar quem realizou a operação e verificar a ocorrência de outras filiações fraudulentas.


