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Ataques dominam debate em Minas e propostas ficam em segundo plano

Patrus reclamou da dificuldade de discutir projetos para o Estado; Kalil foi pressionado sobre conhecimento de Minas, Simões acusou aliado de Cleitinho de oferecer R$ 10 milhões em propina e adversários concentraram fogo no PT

Por Redação
30 de setembro de 2026 - 09:32
em Política
Ataques dominam debate em Minas e propostas ficam em segundo plano

Foto: Douglas Magno/Globo

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O último debate entre os principais candidatos ao governo de Minas Gerais antes do primeiro turno terminou com muito mais espaço para ataques, acusações e disputas políticas do que para a apresentação detalhada de propostas capazes de mostrar ao eleitor o que cada candidato pretende fazer no Palácio Tiradentes.

Promovido pela TV Globo na noite desta terça-feira (29), o encontro reuniu pela primeira vez na campanha Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB).

Dívida pública, segurança, estradas, servidores, saúde, desenvolvimento regional, transporte e feminicídio apareceram ao longo dos quatro blocos. Houve propostas pontuais, mas grande parte dos confrontos rapidamente desembocou em cobranças sobre adversários, governos anteriores, alianças políticas e acusações pessoais.

Patrus Ananias reclamou em diferentes momentos da dificuldade de levar o debate para o que pretende fazer no Estado. O petista tentou apresentar sua experiência administrativa e cobrou dos adversários uma discussão sobre propostas para Minas.

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A estratégia, porém, encontrou uma barreira recorrente: Fernando Pimentel.

O ex-governador petista foi citado repetidamente pelos adversários de Patrus. Em um dos confrontos, o candidato respondeu que não estava no debate para defender Pimentel.

“Não estou aqui como advogado do Pimentel. Os candidatos não podem falar nada contra mim, não têm nada para dizer sobre as minhas gestões como prefeito de Belo Horizonte, ministro, deputado federal e ficam colocando outras pessoas”, afirmou.

Patrus recorreu à própria trajetória para responder aos ataques. Lembrou a passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte, pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pela Câmara dos Deputados e afirmou que sua vida pública não registra envolvimento em corrupção.

Ao falar de propostas, defendeu desenvolvimento regional em parceria com as prefeituras, investimentos em saúde, educação, segurança e cultura, revisão de benefícios fiscais e uma nova negociação da dívida mineira com a União.

Kalil é pressionado sobre conhecimento do Estado

Alexandre Kalil também passou parte do debate respondendo a questionamentos sobre seu conhecimento da realidade mineira para além de Belo Horizonte, cidade que administrou por dois mandatos.

Um dos momentos mais evidentes ocorreu no confronto sobre segurança pública com Gabriel Azevedo.

Gabriel perguntou quantos presídios existem em Minas e quantos contam com bloqueadores de celular. Kalil inicialmente estimou que o Estado tivesse “aproximadamente 35 a 36 presídios”.

Pressionado novamente, reconheceu que não sabia o número.

“Se o negócio é decorar e falar número, eu não sei se é 85 ou 35, porque quem vai cuidar disso é o secretário de Segurança”, respondeu.

Kalil argumentou que sua prioridade seria recompor as forças policiais e melhorar as condições de trabalho das corporações, e não começar pelos presídios.

“Cuidar de presídio é a última coisa que nós vamos fazer para combater o efeito de facção”, afirmou.

Gabriel usou a resposta para questionar o conhecimento do adversário sobre a segurança pública estadual e defendeu bloqueadores de celular em todas as unidades prisionais, além da criação de um centro integrado de inteligência.

Gabriel aposta nos números

Gabriel Azevedo chegou ao debate munido de números e perguntas específicas para tentar colocar os adversários em dificuldade.

A estratégia ficou clara no confronto com Kalil sobre o sistema prisional. Gabriel transformou o número de presídios e de bloqueadores em teste para o ex-prefeito e aproveitou a resposta imprecisa para atacá-lo.

Kalil, por sua vez, reagiu questionando a tentativa de transformar conhecimento de números em demonstração de capacidade administrativa.

O confronto sintetizou parte da estratégia adotada pelo candidato do MDB ao longo da campanha: confrontar adversários com dados e apresentar propostas específicas, como bloqueadores em presídios e integração das forças de inteligência.

Em outros momentos, Gabriel também recorreu à própria origem familiar, lembrando ser filho de professora e policial, e à experiência como presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte para apresentar suas credenciais ao governo estadual.

Simões acusa aliado de Cleitinho de oferecer R$ 10 milhões

O momento mais grave do debate ocorreu no último bloco.

Mateus Simões afirmou que o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas e aliado político de Cleitinho, teria lhe oferecido R$ 10 milhões em propina para facilitar um contrato no governo estadual.

Simões disse que procurou Cleitinho há cerca de um ano para alertá-lo sobre Pettersen.

“Ele tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento, para que eu pudesse facilitar um contrato para ele. Não só não facilitei, como denunciei o fato”, afirmou o governador.

Pettersen também foi alvo de outras referências durante o debate por ter sido indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre fraudes envolvendo descontos de aposentados e pensionistas do INSS.

Cleitinho respondeu que não pode ser responsabilizado por atos eventualmente praticados por aliados.

“O CPF é deles. Eles têm a vida deles e as questões deles. Eu não tenho nada a ver com isso”, disse.

O senador acrescentou que, se pessoas próximas a ele cometeram irregularidades, deverão responder por elas.

“Se essa turma que está aí, se tiver alguma coisa errada, vai ter que pagar. E eu não passo pano.”

Cleitinho insiste em impostos e discurso direto ao eleitor

Líder das pesquisas, Cleitinho manteve no debate algumas das bandeiras que vem apresentando durante a campanha, principalmente a redução de impostos, revisão de pedágios e diminuição do tamanho da máquina pública.

Defendeu novamente a redução do IPVA e prometeu rever contratos de concessão de rodovias.

Também recorreu ao estilo de comunicação que marcou sua trajetória política, dirigindo-se diretamente ao público e dizendo que o eleitor seria o verdadeiro ocupante da cadeira de governador.

No último bloco, questionado por Patrus sobre seu projeto para Minas, falou em reduzir a polarização, dialogar com qualquer presidente eleito e diminuir o tamanho do Estado.

“Eu vou fazer o Estado menor e o povo maior”, afirmou.

O senador também disse que pretende dialogar com o próximo presidente independentemente de quem vencer a disputa nacional.

Roscoe leva Fiemg e disputa ideológica ao debate

Flávio Roscoe voltou a recorrer à experiência à frente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) para defender suas propostas econômicas.

O candidato do PL criticou a possibilidade de revisão ampla dos incentivos fiscais defendida por Patrus e argumentou que os benefícios são instrumentos para atrair empresas, gerar emprego e aumentar a arrecadação.

Mas boa parte de sua participação também foi dedicada à disputa ideológica.

Roscoe apresentou sua candidatura como representante da direita, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial e, assim como Mateus Simões, tentou se colocar como alternativa para impedir que o PT chegue ao segundo turno em Minas.

A disputa entre candidatos que buscam o eleitorado de direita acabou ocupando espaço que poderia ser dedicado à discussão sobre políticas estaduais.

Patrus vira alvo comum

Se Cleitinho entrou no debate como líder das pesquisas e foi pressionado principalmente por Mateus Simões, Patrus tornou-se alvo recorrente dos demais candidatos.

Gabriel Azevedo cobrou sua ausência nos debates anteriores e afirmou que Minas rejeita o PT. Roscoe e Simões insistiram na comparação com o governo Fernando Pimentel. Cleitinho reafirmou sua oposição ao partido.

Patrus respondeu tentando separar sua candidatura da gestão do ex-governador e voltou à própria trajetória.

“Os meus compromissos com Minas Gerais estão alicerçados na minha história”, afirmou.

No confronto sobre a dívida estadual, apresentou como propostas a revisão das isenções fiscais e uma negociação com o governo federal para ampliar o prazo de pagamento. Também defendeu que o desenvolvimento de Minas seja pensado de acordo com as características de cada região.

Último encontro termina sem grande novidade para o eleitor

O debate apresentou algumas propostas concretas: redução do IPVA e revisão de pedágios por Cleitinho; bloqueadores em presídios e integração da inteligência por Gabriel; revisão de incentivos fiscais e renegociação da dívida por Patrus; fortalecimento das polícias por Kalil; continuidade das negociações fiscais e investimentos da atual gestão por Simões; e manutenção de incentivos e estímulo à atividade empresarial por Roscoe.

Mas essas propostas dividiram espaço com uma sucessão de ataques, acusações e discussões sobre quem representa a direita, quem pode impedir o PT de chegar ao segundo turno, o legado de Pimentel e as relações políticas dos candidatos.

No primeiro e único encontro da campanha com os seis principais concorrentes no mesmo palco, o eleitor que esperava conhecer em detalhes como cada candidato pretende enfrentar a dívida superior a R$ 200 bilhões, melhorar as estradas, reorganizar a saúde, enfrentar o crime, recuperar a capacidade de investimento e reduzir as desigualdades entre as regiões de Minas terminou a noite com poucas respostas aprofundadas sobre esses pontos.

Tags: Alexandre KalilCleitinhoDebateeleições 2026Euclydes PettersenFlávio RoscoeGabriel Azevedogoverno de MinasMateus SimõesMinas GeraisPatrus Ananias
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