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Home Notícias Política

Primeiro debate em Minas tem troca de ataques, disputa pela direita e ausência de Patrus

Cleitinho adota postura mais moderada enquanto Kalil, Mateus Simões e Gabriel Azevedo protagonizam embates; dívida do Estado, segurança pública e privatizações estiveram entre os principais temas

Por Redação
17 de agosto de 2026 - 16:59
em Política
Primeiro debate em Minas tem troca de ataques, disputa pela direita e ausência de Patrus

Reprodução / TV Band Minas

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O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais mostrou, já na largada da campanha, que a disputa pelo Palácio Tiradentes deverá passar tanto pelos problemas históricos do Estado quanto pela tentativa de cada candidato de encontrar espaço em um cenário político bastante fragmentado.

Realizado pela Band na noite deste domingo (16), o encontro reuniu Cleitinho Azevedo (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB).

Patrus Ananias (PT), que também havia sido convidado, não participou. O petista estava em São Bernardo do Campo, onde acompanhou o lançamento da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ausência teve um custo político: Patrus perdeu o primeiro confronto direto da campanha justamente quando tenta se consolidar como um dos principais nomes da disputa estadual.

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Sem ele no estúdio, Lula praticamente desapareceu do debate.

Cleitinho evita confronto e tenta preservar liderança

Líder das pesquisas neste início da campanha, Cleitinho adotou uma postura diferente daquela que o tornou conhecido nas redes sociais e no Senado.

Em vez do confronto permanente, buscou apresentar uma imagem mais conciliadora.

Ao falar da dívida bilionária de Minas com a União, defendeu diálogo com quem estiver na Presidência da República e disse que governaria sem colocar a ideologia partidária acima dos interesses do Estado.

Cleitinho classificou a adesão de Minas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) como um “mal necessário”. O senador também voltou a defender uma de suas propostas mais conhecidas: acabar com a apreensão de veículos exclusivamente por falta de pagamento do IPVA.

Na segurança pública, afirmou que policiais mineiros não utilizarão câmeras corporais caso seja eleito e defendeu investimentos nas polícias Civil, Militar e Penal.

A estratégia parecia clara: com vantagem nas pesquisas, Cleitinho teve pouco a ganhar entrando em confrontos prolongados com adversários que tentam justamente aumentar sua exposição.

O próprio candidato deu uma demonstração dessa estratégia depois do programa. Em entrevista coletiva, anunciou que pretende ficar fora dos próximos debates e retornar apenas na última semana da campanha.

Kalil e Simões transformam governo Zema em campo de batalha

Se Cleitinho evitou grandes confrontos, Alexandre Kalil e Mateus Simões fizeram o caminho oposto.

Simões carrega para a eleição o legado dos oito anos de Romeu Zema no governo de Minas. Kalil, por sua vez, tenta transformar justamente essa continuidade em munição eleitoral.

Um dos embates mais duros ocorreu durante a discussão sobre segurança pública e feminicídio.

Simões questionou Kalil sobre uma declaração feita pelo ex-prefeito de Belo Horizonte em 2022. Kalil reagiu atacando os resultados da segurança pública estadual e disparou contra o adversário:

“Você está em Nárnia?”

A troca de acusações evidenciou uma das linhas centrais da campanha. Simões pretende defender os resultados da administração Zema e apresentar-se como responsável pela continuidade de um governo que considera bem-sucedido. Kalil tentará convencer o eleitor de que oito anos foram suficientes para cobrar aquilo que considera problemas não resolvidos pela atual gestão.

A dívida mineira também colocou os dois em lados opostos.

Simões responsabilizou o governo federal pela situação e defendeu a renegociação construída pelo Estado. Kalil criticou a adesão ao Propag e afirmou que o modelo pode comprometer a capacidade de governar Minas nos próximos anos.

Gabriel parte para cima de Kalil

Outro confronto que ganhou espaço ocorreu entre Gabriel Azevedo e Alexandre Kalil.

Ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel aproveitou o histórico do adversário na Prefeitura da capital para cobrar sua gestão.

Kalil reagiu questionando o patrimônio do emedebista, proprietário de um bar em Belo Horizonte. Gabriel respondeu ironizando o temperamento do ex-prefeito:

“Todo mundo sabe que você não consegue se controlar.”

A discussão se intensificou na reta final e a Band chegou a cortar os microfones dos dois candidatos diante do bate-boca.

O confronto também revela a disputa por um eleitorado que não está necessariamente alinhado aos polos mais ideológicos da eleição. Kalil e Gabriel tentam ocupar espaços semelhantes em segmentos urbanos, especialmente em Belo Horizonte, onde ambos construíram suas trajetórias políticas recentes.

Roscoe aposta em perfil mais técnico

Flávio Roscoe teve uma participação mais discreta que os adversários.

Ex-Presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) antes de entrar na disputa, o candidato do PL procurou explorar principalmente temas econômicos e administrativos.

Roscoe defendeu privatizações, entre elas a da Copasa, e discutiu com Gabriel Azevedo sobre o papel das estatais e a mineração na Serra do Curral.

A postura mais técnica, entretanto, também expõe um desafio de sua candidatura.

Roscoe precisa tornar-se conhecido do eleitorado em uma eleição na qual enfrenta adversários com grande exposição pública, como Cleitinho, Kalil e Simões.

Além disso, vive uma situação incomum dentro do próprio campo político.

Flávio Bolsonaro termina com dois palanques em Minas

Uma das curiosidades políticas do debate apareceu quando a discussão chegou à eleição presidencial.

Cleitinho, embora seja candidato pelo Republicanos, reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.

O detalhe é que o PL tem candidato próprio ao governo mineiro: Flávio Roscoe.

Na prática, Flávio Bolsonaro começa a campanha presidencial com dois candidatos ao governo disputando seu eleitorado em Minas. Roscoe carrega oficialmente a sigla do presidenciável, enquanto Cleitinho, líder das pesquisas estaduais, também declara voto no senador.

Cleitinho, entretanto, procurou separar a preferência presidencial da relação institucional que teria com Brasília. Disse que, caso Lula seja reeleito, irá dialogar normalmente com o petista em defesa dos interesses de Minas.

A postura reforça a tentativa de preservar seu eleitorado para além do bolsonarismo.

Dívida de Minas atravessa o debate

Entre ataques e estratégias eleitorais, um problema atravessou praticamente todo o encontro: a situação fiscal de Minas Gerais.

A dívida estadual é estimada em cerca de R$ 206 bilhões, dos quais mais de R$ 160 bilhões são devidos à União. A forma de administrar esse passivo e os efeitos do Propag colocaram os candidatos em posições diferentes.

Simões defendeu o caminho adotado pela gestão Zema. Kalil criticou a solução construída. Cleitinho preferiu falar em negociação com o próximo presidente. Gabriel defendeu a revisão de benefícios fiscais concedidos a empresas.

A discussão mostrou que, independentemente de quem vencer em outubro, o próximo governador encontrará pouco espaço para promessas que ignorem a situação das contas públicas.

Um debate sem Lula e com muita disputa pela direita

O primeiro encontro também serviu para revelar a configuração peculiar da eleição mineira.

Com Patrus ausente, nenhum candidato assumiu a tarefa de defender abertamente o governo Lula. O presidente, que venceu em Minas nas eleições de 2022, acabou praticamente fora das discussões.

Na direita, ocorre o contrário.

Cleitinho, Roscoe e Simões disputam diferentes parcelas de um eleitorado que, em maior ou menor grau, esteve associado nos últimos anos ao campo conservador. Kalil tenta construir uma alternativa de oposição tanto ao governo estadual quanto aos candidatos mais identificados com a direita, enquanto Gabriel busca abrir uma terceira faixa nesse tabuleiro.

O primeiro debate não produziu um vencedor evidente, mas deixou claras as estratégias.

Cleitinho tentou proteger a liderança. Simões defendeu o legado de Zema. Kalil escolheu o ataque. Gabriel buscou provocar os adversários. Roscoe tentou apresentar-se ao eleitor.

E Patrus, ao escolher o palanque de Lula em São Paulo, deixou vazia justamente a cadeira que poderia ter levado o governo federal para o centro do primeiro grande confronto da eleição mineira.

A campanha pelo Palácio Tiradentes começou.

Tags: Alexandre KalilCleitinho Azevedodebate da Bandeleições 2026 Minas GeraisFlávio RoscoeGabriel Azevedogoverno de MinasMateus SimõesPalácio TiradentesPatrus AnaniasRomeu Zema
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