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Home Notícias Política

De colete à prova de balas, Flávio lança campanha em ato com bandeiras dos EUA e de Israel

Candidato do PL inicia corrida presidencial em Copacabana cercado por referências ao pai; em evento de discurso nacionalista, apoiadores exibem símbolos estrangeiros e bandeira americana ganha destaque durante execução do Hino Nacional Brasileiro

Por Redação
17 de agosto de 2026 - 09:32
em Política
De colete à prova de balas, Flávio lança campanha em ato com bandeiras dos EUA e de Israel

Fernando Frazão / ABR

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Flávio Bolsonaro (PL) escolheu um dos endereços mais simbólicos do bolsonarismo para iniciar oficialmente sua campanha à Presidência da República. Neste domingo (16), reuniu apoiadores na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, repetindo o cenário de grandes manifestações realizadas pelo grupo político nos últimos anos.

Mas antes mesmo dos discursos, duas imagens ajudaram a marcar a largada da candidatura.

Flávio chegou ao evento usando um colete à prova de balas por baixo da camiseta verde e amarela. Entre os apoiadores, bandeiras dos Estados Unidos e de Israel dividiram espaço com as cores brasileiras.

Em determinado momento, uma grande bandeira norte-americana foi estendida por manifestantes durante a execução do Hino Nacional Brasileiro.

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A cena produziu um contraste difícil de ignorar.

Em um ato de lançamento de uma candidatura à Presidência do Brasil, organizado por um movimento político que há anos adotou o patriotismo, o verde e amarelo e expressões como “Brasil acima de tudo” como elementos de sua identidade, o símbolo de outra nação recebeu posição de destaque justamente enquanto era executado o hino brasileiro.

Colete balístico deve acompanhar Flávio durante a campanha

O equipamento utilizado pelo candidato não foi apenas uma medida excepcional para o evento no Rio.

Segundo o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, a orientação da equipe de segurança é para que Flávio Bolsonaro utilize colete balístico durante toda a campanha presidencial.

Sóstenes atribuiu a decisão às ameaças que o candidato estaria recebendo.

O esquema ganha atenção adicional porque a primeira agenda de Flávio após o lançamento ocorre nesta segunda-feira (17), em Juiz de Fora, Minas Gerais.

A cidade entrou para a história das eleições presidenciais em 2018 depois que Jair Bolsonaro foi atingido por uma facada durante um ato de campanha.

Segundo Sóstenes, a segurança do candidato será reforçada durante a passagem pelo município mineiro.

O colete, portanto, deverá se tornar uma imagem recorrente na campanha.

Copacabana e a tentativa de reproduzir os atos do pai

A escolha da Praia de Copacabana também fez parte da estratégia de vincular a candidatura de Flávio ao legado político de Jair Bolsonaro.

O Rio de Janeiro é o principal reduto eleitoral da família, e a orla de Copacabana tornou-se nos últimos anos palco recorrente de manifestações bolsonaristas.

A concentração começou pela manhã na Avenida Atlântica, onde um trio elétrico foi instalado para os discursos. Os participantes foram convocados a comparecer vestidos de verde e amarelo e com camisetas ligadas ao movimento.

Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a ONG More in Common, o evento reuniu 8,9 mil pessoas no momento de maior concentração, às 11h30.

A estimativa possui margem de erro de 12%, o que coloca o público entre aproximadamente 7,8 mil e 9,9 mil participantes. A contagem foi realizada por meio de fotografias aéreas analisadas com software de inteligência artificial.

Jair Bolsonaro domina o lançamento do filho

Mesmo sem estar fisicamente em Copacabana, Jair Bolsonaro ocupou lugar central no evento.

Flávio iniciou parte de sua fala comparando o pai a Pelé e posteriormente reproduziu um áudio antigo do ex-presidente.

Na gravação, Jair Bolsonaro falava sobre patriotismo, família, fé e sobre seu desejo de conduzir o Brasil.

O recurso reforçou uma característica que deverá acompanhar toda a campanha: Flávio busca apresentar-se simultaneamente como candidato próprio e herdeiro político direto do pai.

Antes mesmo de seu discurso, aliados já haviam feito repetidas referências ao ex-presidente e à sua situação judicial.

O slogan escolhido pela campanha, “O Brasil vai vencer”, também procura recuperar o nacionalismo que marcou as campanhas anteriores de Jair Bolsonaro.

Segurança pública no centro do discurso

Se o colete balístico produziu a imagem mais marcante, a segurança pública forneceu um dos principais conteúdos do discurso.

Flávio afirmou que os brasileiros vivem com medo e relacionou criminalidade à perda de soberania sobre bens e sobre a própria vida.

Em uma das passagens, questionou quem efetivamente exerce autoridade em territórios dominados pelo crime organizado e citou o Complexo do Alemão.

O candidato prometeu ainda classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas caso seja eleito.

Também prometeu combater a violência contra as mulheres e utilizou números de feminicídios para atacar o governo Lula.

Economia, impostos e ataques ao governo

Flávio dedicou outra parte do discurso à economia.

Criticou o endividamento das famílias, o preço dos alimentos, os impostos e os gastos públicos. Prometeu reduzir despesas e cargos e afirmou conhecer um caminho para tirar brasileiros das dívidas.

Também relacionou o governo Lula às fraudes no INSS e fez acusações de corrupção contra a administração petista.

Ao tratar das instituições, voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal e afirmou que pretende enfrentar o que chama de “sistema”.

A retórica mantém elementos que marcaram a trajetória política do pai, combinando críticas ao PT, ao Judiciário, ao tamanho do Estado e à criminalidade.

Bandeiras estrangeiras em um ato “patriota”

Foi fora do trio elétrico, entretanto, que surgiu uma das imagens politicamente mais curiosas do lançamento.

Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estavam próximas ao palco e apareceram em diferentes momentos entre os manifestantes.

A presença desses símbolos não é nova em manifestações bolsonaristas. A bandeira norte-americana tornou-se recorrente especialmente depois da aproximação política da família Bolsonaro com Donald Trump. A israelense, por sua vez, aparece frequentemente em atos da direita brasileira e está ligada, entre outros fatores, à identificação de setores evangélicos com Israel.

Fernando Frazão / ABR

Mas o contexto de domingo acrescentou uma contradição particular.

Flávio lançava uma campanha para governar o Brasil. Vestia verde e amarelo. Seu slogan dizia que “O Brasil vai vencer”. O áudio do pai falava em patriotismo.

Enquanto isso, apoiadores erguiam orgulhosamente a bandeira de outro país durante a execução do Hino Nacional Brasileiro.

Nos Estados Unidos, protocolo manda olhar para a bandeira americana

A ironia se torna ainda maior quando se observa como os próprios Estados Unidos tratam oficialmente seus símbolos nacionais.

O Código dos Estados Unidos estabelece regras específicas de comportamento durante a execução do hino norte-americano.

Quando a bandeira dos Estados Unidos está presente, a legislação orienta os civis a permanecerem em posição de respeito, voltados para a bandeira americana e com a mão direita sobre o coração. Militares uniformizados devem prestar continência.

Há ainda um capítulo inteiro da legislação federal dedicado ao respeito e à forma adequada de exibição da bandeira. O chamado Flag Code determina, por exemplo, que ela não deve tocar o chão, estabelece como deve ser carregada e afirma expressamente que não se deve demonstrar desrespeito ao símbolo nacional.

Isso não significa, evidentemente, que todos os cidadãos norte-americanos se comportem da mesma maneira ou que símbolos estrangeiros não possam ser exibidos nos Estados Unidos.

A comparação está no valor institucional e cultural atribuído ao símbolo nacional.

No lançamento de uma candidatura à Presidência brasileira, apoiadores que reivindicam para si o patriotismo escolheram reverenciar também uma potência estrangeira, chegando a erguer sua bandeira durante o momento reservado ao Hino Nacional do próprio Brasil.

A relação do bolsonarismo com Estados Unidos e Israel

As bandeiras também ajudam a contar uma história política mais ampla.

A aproximação da família Bolsonaro com os Estados Unidos ganhou força durante o primeiro mandato de Donald Trump. Jair Bolsonaro construiu uma relação de afinidade ideológica com o republicano, posteriormente reproduzida pelos filhos.

Israel ocupa outro espaço simbólico dentro do movimento.

A bandeira israelense tornou-se presença frequente em manifestações bolsonaristas, sobretudo pela aproximação do grupo com setores evangélicos. Flávio também reforçou pessoalmente essa relação ao realizar viagem política a Israel em 2026.

Há uma particularidade nessa relação. Israel é um Estado de maioria judaica, enquanto boa parte da identificação brasileira com o país parte de grupos cristãos evangélicos. Trata-se menos de identidade religiosa compartilhada e mais de uma combinação de interpretações teológicas, afinidades políticas e identificação com pautas conservadoras.

Patriotismo sob disputa

A bandeira brasileira tornou-se um dos símbolos mais fortes do bolsonarismo desde 2018. Camisas da seleção, o verde e amarelo e referências constantes à pátria transformaram-se praticamente em uniforme das manifestações do grupo.

Por isso, a presença ostensiva de bandeiras estrangeiras não é um detalhe irrelevante.

Ela expõe uma contradição entre discurso e imagem.

É perfeitamente legítimo que brasileiros expressem simpatia pelos Estados Unidos, por Israel ou por qualquer outra nação. A questão política surge quando isso ocorre dentro de um movimento que reivindica para si uma espécie de monopólio do patriotismo e que utiliza permanentemente símbolos nacionais para estabelecer uma divisão entre aqueles que seriam ou não verdadeiros defensores do Brasil.

No primeiro dia da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, essa contradição acabou registrada pelas próprias imagens do evento.

O candidato apareceu de verde e amarelo, protegido por um colete à prova de balas e prometendo que “o Brasil vai vencer”.

Ao redor dele, enquanto tocava o Hino Nacional Brasileiro, parte de seus apoiadores fez questão de levantar também as estrelas e listras dos Estados Unidos.

Tags: bandeira de Israelbandeira dos Estados Unidosbolsonarismocampanha presidencial 2026colete à prova de balasCopacabanaDonald Trumpeleições 2026Flávio BolsonaroHino NacionalJair Bolsonaro
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