A economia brasileira fechou 2025 com crescimento de 2,3%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No quarto trimestre, a alta foi de 0,1% em relação aos três meses anteriores, indicando perda de fôlego no fim do ano.
Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 12,7 trilhões. O PIB per capita ficou em R$ 59.687, com crescimento real de 1,9% frente a 2024. Este é o quinto ano consecutivo de expansão da economia brasileira.
Nos últimos cinco anos, o desempenho foi o seguinte: 4,8% em 2021; 3% em 2022; 3,2% em 2023; 3,4% em 2024; e 2,3% em 2025.
Agro lidera crescimento
Pela ótica da produção, todas as grandes atividades registraram avanço. A agropecuária foi o principal destaque, com alta de 11,7%, impulsionada por recordes nas safras de milho (23,6%) e soja (14,6%). O setor respondeu por 32,8% de todo o crescimento do PIB no ano.
A indústria cresceu 1,4%, com destaque para a extração de petróleo e gás, que levou as indústrias extrativas a avançarem 8,6%. A construção ficou praticamente estável, com variação de 0,5%.
Já os serviços, que têm o maior peso na economia, cresceram 1,8%. Houve expansão em todas as atividades, especialmente em informação e comunicação (6,5%) e no setor financeiro (2,9%).
Agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviços e informação e comunicação concentraram 72% da expansão registrada em 2025.
Consumo e investimentos
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, abaixo do avanço de 5,1% observado em 2024. Segundo o IBGE, a desaceleração está ligada ao ambiente de juros elevados ao longo do ano.
O consumo do governo avançou 2,1%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos, cresceu 2,9%, puxada pela importação de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de software e construção.
A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, levemente abaixo dos 16,9% de 2024. A taxa de poupança subiu para 14,4%.
Quarto trimestre mostra perda de ritmo
O crescimento de 0,1% no quarto trimestre reflete estabilidade no consumo das famílias e alta de 1% no consumo do governo. Em contrapartida, os investimentos recuaram 3,5% no período, e a indústria caiu 0,7%.
“O PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
Juros altos pesaram
A desaceleração ao longo de 2025 ocorreu em meio ao aperto monetário promovido pelo Banco Central do Brasil. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária iniciou a elevação da taxa Selic, que passou de 10,5% ao ano para 15% em junho de 2025, patamar mantido até o momento.
A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou 13 meses fora do intervalo permitido, incluindo praticamente todo o ano passado.
Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a frear consumo e investimentos. Por outro lado, ajudam a conter a inflação. Apesar do cenário restritivo, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, também segundo o IBGE.
O que mede o PIB
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em determinado período. O indicador é utilizado para medir o ritmo da economia, embora não reflita diretamente aspectos como distribuição de renda ou qualidade de vida.






