Belo Horizonte inicia nesta quarta-feira (18) a operação de patinetes elétricos compartilhados, que passam a circular inicialmente na região central e em bairros da região Oeste. A iniciativa marca o retorno desse tipo de modal à capital mineira, agora sob um modelo regulado pelo poder público após experiências anteriores marcadas por falta de controle e problemas de organização urbana.
O serviço será operado pela JET Patinetes Elétricos, empresa credenciada após chamamento público conduzido pela Superintendência de Mobilidade de Belo Horizonte (Sumob). Nesta primeira etapa, serão disponibilizados cerca de 1,5 mil patinetes, sendo a maior parte concentrada na área central.
O uso é feito por aplicativo, com cadastro obrigatório e pagamento digital. As tarifas seguem um modelo variável: o desbloqueio custa entre R$ 2 e R$ 3, enquanto o valor por minuto pode variar de R$ 0,49 a R$ 0,99, dependendo da demanda e do horário.
Retorno com regras mais rígidas
Diferente das primeiras experiências com patinetes na cidade, a operação atual traz regras mais claras para circulação e estacionamento. Um dos principais pontos é a exigência de que o equipamento seja deixado apenas em locais previamente definidos no aplicativo, o que tenta evitar problemas recorrentes no passado, como veículos abandonados em calçadas e vias públicas.
Além disso, os patinetes contam com sistemas de controle remoto, como limitação automática de velocidade por geolocalização e rastreamento em tempo real, o que permite restringir o uso em áreas sensíveis e monitorar o comportamento dos usuários.
Onde e como os patinetes podem circular
As regras seguem diretrizes nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 996/2023.
Na prática, os patinetes poderão circular:
- em ciclovias e ciclofaixas, consideradas os espaços mais seguros;
- em vias com velocidade de até 40 km/h;
- em áreas de pedestres, desde que respeitado o limite reduzido de velocidade.
Os limites variam conforme o local:
- até 6 km/h em calçadas, praças e parques;
- até 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas.
O uso é permitido apenas para maiores de 18 anos e deve ser individual. Não é permitido transportar passageiros ou animais. O capacete não é obrigatório, mas é recomendado.
Testes e desafios
A implantação do serviço foi precedida por testes realizados em 2025 em diferentes regiões da cidade. A avaliação levou em conta fatores como segurança, adaptação à infraestrutura urbana e impacto na mobilidade.
Mesmo com as novas regras, o retorno dos patinetes reacende discussões sobre convivência no trânsito e uso do espaço público. Especialistas apontam que, sem fiscalização adequada, ainda há risco de conflitos com pedestres e motoristas, especialmente em áreas de grande circulação.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos usuários, que será determinante para o sucesso da iniciativa. A própria empresa prevê ações educativas e presença de monitores nos primeiros dias de operação.
Integração com o transporte urbano
A proposta da prefeitura é que os patinetes funcionem como alternativa para deslocamentos curtos, complementando o transporte coletivo e outros modais.
O modelo adotado não prevê custos diretos para o município, já que a operação, manutenção e gestão do serviço ficam a cargo da empresa credenciada.
A expectativa é que, a depender da adesão e dos resultados iniciais, o serviço seja ampliado para outras regiões da cidade.






